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Origem

Tratar da história da Capoeira torna-se dificultoso devido a pouca
documentação existente. Na tentativa de apagar um passado que não convinha,
grande parte dos documentos referentes à escravidão foram queimados
ou desviados com alegação de que tais registros eram retratos de uma época
"vergonhosa para o país", recorre-se às vivências dos capoeiristas que são
transmitidas oralmente. E como existem diversas versões a respeito
das informações, opta-se por aquelas com quais há maior identificação.

As origens e o desenvolvimento histórico
"Capoeira pra estrangeiro, meu irmão/ é mato
Capoeira brasileira, meu compadre/ é de matar
Capoeira é ligeira, ela é brasileira, ela é de matar"

A Capoeira nasce na época colonial de um Brasil embasado na mão-de-obra escrava.
Os negros africanos foram arrancados de suas origens e transportados para uma
nação que tratava-os como mercadorias e recusava-se a vê-los como seres humanos.
Submetidos ao trabalho compulsório, aos mais severos castigos, a proibição
de sua cultura e divididos em grupos de dialetos diversos para dificultar-lhes
a comunicação e eventualmente organização, era imperioso encontrar formas
de resistências e de liberdade.
Desprovidos de armas ou quaisquer outros instrumentos, contam somente com
o próprio corpo para lutar. Observando nas brigas dos animais giros, marradas,
coices, saltos e botes, os negros desenvolvem os primeiros movimentos dessa luta,
ao imitar gatos, cavalos, cobras além de impregná-las com as manifestações africanas.
Devido à necessidade de resistir e preservar a vida em circunstâncias próprias
da situação em que viviam no Brasil é que se acredita que a Capoeira tenha
se desenvolvido aqui e não na trazida da África, embora seja indissociável
da cultura africana, da qual herdou ritmos, instrumentos, canções, crenças e
inclusive os aspectos religiosos, funcionando como forma de expressar
os sentimentos e preservar as tradições.
O jogo era praticado em intervalos de folga ou após todo o serviço,
e a música servia para disfarçar a luta, dando-lhe um caráter lúdico e inofensivo e,
dessa forma confundindo os senhores e feitores. Geralmente era exercida
no interior das matas, nas vegetações ralas chamadas capoeira, dos quais
os escravos tinham grande conhecimento devido às fugas, e dos quais surgiam
repentinamente atacando expedições e Capitães-do-mato.
Por outro lado, estavam, em maior numero na colônia os negros de Angola,
e comumente atribui-se a esse povo um caráter festivo, rebelde, ágil, identificado
com as brincadeiras e arruaças. Portanto o nome dessa arma constituída pelos
movimentos dos animais, praticada nas capoeiras e pelos negros de Angola
(em sua maioria), configura-se Capoeira Angola.

Com a urbanização das cidades, a Capoeira tende a desenvolver-se mais.
Presente em centros como Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro, é nesse último
que encontra sua maior expressão, tendo em vista que o número de escravos
circulantes e vadios homens libertos e livres pobres, sem possibilidade
de ocupação é significativamente maior que a população branca.
E é nesses centros que assume seu caráter mais violento, posteriormente
agravado com a abolição da escravatura que despejou negros e mestiços
na margem de uma sociedade que não os incorporava, e sente as seqüelas
de um sistema excludente e branco até os dias de hoje.
Ao longo do século XIX, a presença dos capoeiristas nas ruas das cidades passa
a merecer maior atenção das autoridades, cuidado que deveria tornar-se desespero

na medida em que a legislação punitiva a respeito da pratica era débil e todo
o aparato repressivo da política não conseguia deter definitivamente os praticantes
da luta, dada sua capacidade de mobilidade, ou seja, ao mesmo tempo contestadora.
Mestre Gavião
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