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José Luiz de Oliveira Cruz, o mestre Bola Sete, lança hoje um verdadeiro tratado sobre o desenvolvimento da arte secular que é a Capoeira Angola.
Eduardo Bastos Um livro elaborado para os iniciantes da arte-luta-dança da capoeira, mas que é também de grande serventia para os que com ela militam há algum tempo, será lançado hoje, às 18 horas, na Livraria da Empresa Gráfica da Bahia (EGBA), no Largo do Pelourinho, 12. A Capoeira Angola na Bahia, de José Luiz de Oliveira Cruz, ou Mestre Bola Sete, como é conhecido nos meios capoeiristas, é o segundo lançamento editorial da EGBA. O autor o define como um manual para os iniciantes, mas o livro é na verdade um autêntico tratado sobre o desenvolvimento dessa arte secular na Bahia. Ricamente ilustrado com fotos, quadros, gráficos e tabelas, o livro do Mestre Bola Sete aborda basicamente as capoeiras Angola e Regional, distinguindo-as metodologicamente e identificando a filosofia de ensino de cada uma. A despeito da existência de vários outros títulos editados sobre a Capoeira, A Capoeira Angola na Bahia é o primeiro a revelar os cantos de ladainha, cantos de entrada e cantos corridos, utilizados respectivamente, para a concentração, preparação e para a luta propriamente dita. O autor Mestre Bola Sete, é um funcionário público do Interba de 39 anos de idade. Discípulo de Pessoa Ba-Ba-Bá, aluno do famoso Mestre Pastinha a quem o livro dá um destaque especial-, ele pratica a capoeira há 22 anos e é considerado um intelectual orgânico do ramo. No capítulo, Movimento Básicos da Capoeira Angola e suas principais variações de golpes, ele discorre sobre a arte do improviso e da criação de novos movimentos de acordo com as características do capoeirista. O Livro também mostra com detalhes a maneira de aplicar os principais golpes, além de ensinar de forma simples os toques de berimbau e de apresentar os trajes usados pelos capoeiristas. Pelo menos um trecho do livro poderá causar polêmica entre os praticantes da capoeira angola: é o que defende a graduação como forma de incentivo e organização da luta. Já a criação de uma seqüência para o jogo de dentro (praticado no chão) colocando-o no mesmo grau de importância do jogo de fora (praticado em pé) no desenvolvimento da luta, promete ser uma sensação entre os capoeiristas. A capoeira Angola na Bahia engloba em seu conjunto as principais transformações sofridas pela capoeira desde o período da escravidão aos dias atuais, com citações aos grandes mestres, como Pastinha, Bimba e Besouro Cordão de Ouro. Mas para o autor, o livro é também uma contribuição para que se preserve essa arte-dança-luta em seus padrões originais, distante do comercialismo que a deturpa no Sul do país e até mesmo na Bahia.
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