Esse senhor de 73 anos chegou ao pé da roda, tocou o berimbau e deu umas pernadas pra lá de mandingueiras, como há muito disse não fazia. Não dava pra conter a emoção ao ver aquela pessoa fantástica, de tão singela presença, com suas sábias e doces palavras saindo da boca sorridente ao falar.
A roda foi caminhando nas voltas do mundo, nós ali revivendo os encontros que a vida nos permite ter - a hora passa tão rápido nesses momentos, dá até vontade de pedir pra alguém parar o relógio pra gente poder se deliciar.
Do outro lado do oceano Atlântico, lá na nossa casa de Bremen, as camaradinhas do Cazuá já haviam espalhado as suas vibrações no ar pelo momento que decidimos viver e isso só veio a deixar tudo ainda mais harmonizado, mais especial.
Nas frases que foram sendo ditas, nos cantos lançados para a gente gingar, as certezas de que estamos caminhando numa trilha em que podemos pisar firme, porque é uma terra que nos assegura e nos permite olhar pra frente para ver e viver a longa estrada de prosperidade que queremos traçar: à toda a causa que nos dedicarmos, o importante pra nós é podermos construir em harmonia o nosso espaço, com a ajuda, apoio e compreensão dos que nos cercam. E entendemos por nós e por aqueles que nos cercam como seres humanos, seres de gêneros que se complementam e juntos podem se interessar por uma vida melhor.
Vamos sempre tocar nesse assunto, essa é a forma como queremos ver o mundo em paz: através da troca, da integração, da cooperação.

Gostaríamos de ressaltar que o nosso espaço está aberto às mulheres que como nós tem a garra para, ano após ano, buscar aquilo que só teremos a aproveitar: participar da vida social de um Grupo que desenvolve um trabalho voltado à comunidade. Até mesmo porque vai muito além de participação e da competência o que nos obriga hoje em dia a sermos mãe, dona de casa, trabalhadoras e ainda angoleiras. Envolvem questões amplas, que precisamos conversar e debater para ampliar cada vez mais os limites e promover novas e maiores aceitações.
Agradecemos novamente a todos os que participaram desse lindo dia conosco e àqueles que no dia seguinte foram dançar, cantar, bater palmas e tambores em nosso Samba de Roda (principalmente Mestre Pernalonga, Contra-Mestre Siri e Djavan).
Estamos abertas às oportunidades de gerarmos juntas outros Encontros como este que fizemos e dessa forma integrar ainda mais as diversas linhas que fazem a Capoeira ser um caminho de valorização da cultura popular de nosso povo.
fotos: Leonardo Galina "Guma" (
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Março 2006