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CAPOEIRA ANGOLA OU REGIONAL É FOLCLORE! PDF
 
Escrito por: Professor Acúrsio Esteves,em:13-03-2006 07:24
Acessos: 3069    
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Professor Acúrsio EstevesÉ comum capoeiristas, pesquisadores, estudiosos e mestres reagirem contra a afirmação óbvia de que a capoeira é folclore, incorrendo desta forma em um grande equívoco. Esta aversão pode ser originada do senso comum que diz ser o folclore algo velho, em desuso, ou pode estar atrelada também à idéia de que folclore é o espetáculo regional mostrado por grupos profissionais aos turistas. Estes shows na maioria das vezes deturpam a forma original da manifestação processo do qual é vítima a capoeira, o samba de roda e até o Candomblé que é uma religião. É possível também que pelo fato do governo Vargas tê-la aceita apenas como “folclore e desporto” tenha contribuído para tal aversão. Outra possível causa é a desinformação acadêmica do que seja folclore e quais sejam as suas características.
 
Manifestação concebida na cultura popular, a capoeira é o elemento folclórico que melhor representa a cultura brasileira. Segundo alguns estudiosos e folcloristas, o Folclore é uma manifestação da cultura popular que representa uma instância qualitativamente superior e estratificada desta cultura, pois ele é a representação simbólica de uma sociedade.
                                                                                                                    
É ocorrente, entre folcloristas brasileiros, uma frase de sucesso: “Tudo que é Folclore, é popular; porém nem tudo que é popular é Folclore”. Este refrão remete imediatamente a dois pontos básicos: o entendimento do termo popular e o reconhecimento da existência de níveis distintos no interior da mesma cultura. (FRADE, 1997)
 
Logo, para que algumas manifestações da cultura popular elevem-se à categoria de folclore, é necessário que elas possuam os quatro fatores determinados pela Carta do Folclore Brasileiro.
 
Folclore é o conjunto das criações culturais de uma comunidade, baseado nas suas tradições, expressas individual ou coletivamente, representativo de sua identidade social. Constituem-se fatores de identificação da manifestação folclórica: aceitação coletiva, tradicionalidade, dinamicidade, funcionalidade. (grifo nosso) (IBECC, 1995)

 Iremos de forma detalhada comentar cada item que identifica se uma manifestação popular qualquer é ou não folclore, preconizado pela Carta do Folclore Brasileiro contextualizando-o com a capoeira, objeto da nossa análise.
 
 - A aceitação coletiva é o reconhecimento daquele fato por parte da população, como importante e pertencente ao seu universo cultural. Isto pode se dar em termo de localidade, cidade, estado, nação ou mundo. No caso da capoeira esta aceitação já ultrapassa as fronteiras do Brasil e se configura em nível mundial.
 
- A tradicionalidade exige do fato folclórico base no passado (ancestralidade), e que suas características sejam transmitidas entre gerações, através da oralidade, o que não invalida a sua transmissão por outros meios, inclusive o eletrônico.  Por exemplo, a literatura de cordel atualmente é escrita também e impressa em computadores. Neste caso é patente a tradicionalidade da capoeira, que ao longo da história do Brasil vem sendo transmitida através de gerações, inclusive de forma predominantemente oral, como é característica das manifestações culturais afro-brasileiras.
 
- A dinamicidade diz que a manifestação pode ser reelaborada e adaptada a novos códigos. Esta iniciativa, porém, deve partir do povo, do legítimo portador do fato folclórico. Estas novas formas devem ser consuetudinárias, como o foi e continua sendo a capoeira. Mais claro do que isso impossível, pois o trabalho do Mestre Bimba foi totalmente amparado por este parâmetro da dinamicidade quando ele (legítimo portador da capoeira) a reelaborou e adaptou a novos códigos com base na tradição e com incontestável aceitação coletiva. A Capoeira Angola também sofreu, ainda que de forma mais branda, este processo por parte do Mestre Pastinha e até hoje a sua dinâmica difere de um grupo para o outro. Apesar de fundamentalmente diferentes como é notório, ambos os estilos conservam bases ancestrais.
 
- A funcionalidade pressupõe que o fato folclórico tenha utilidade prática, no momento atual, para a sociedade na qual está inserido, prova inconteste de que Folclore não é algo do fundo do baú, cheirando a mofo e que precisa ser resgatado como muitos pensam. A funcionalidade da capoeira é tão evidente que seria perda de tempo enumerá-las aqui.
 
O fato folclórico será imediatamente restringido à sua condição inicial de cultura popular se perder qualquer um dos quatro fatores acima que o identifica como manifestação folclórica, voltando à condição de cultura popular. Contudo, esta cultura popular poderá voltar a ser considerada manifestação folclórica se reunir novamente por qualquer motivo as quatro condições que a caracteriza como tal. Com isso, podemos perceber que o fato de ser folclore não é demérito para as manifestações populares como muitos pensam, ao contrário, esta condição as consolida e as legitima como representantes mais fieis de um povo.
 
São objetos de estudo do folclore, dentre outras manifestações: o artesanato, as lendas, os mitos, os contos, os folguedos, alguns rituais religiosos populares, alguns ritmos musicais, algumas danças populares, as cantigas de roda, de trabalho, de ninar, os jogos, brinquedos e brincadeiras infantis, as várias formas de comunicação oral, gestual e escrita, as adivinhações, parlendas, quadras, trava-línguas, as lutas regionais.
 
 A capoeira, como várias outras manifestações populares e folclóricas, é um conhecimento que aflora da vivência e luta das camadas sociais mais humildes e que, por elas mesmas, num processo contínuo de controvérsias, rupturas e conchavos, é reelaborada cotidianamente. Isso pode servir como reforço para melhorar sua realidade social. Mas se essa transformação atender apenas a interesses particulares e capitalistas, poderá se transformar em uma faca de dois gumes.
 
A Professora do Departamento de Artes e Representação Gráfica – FAAC – Unesp/Bauru e à época Doutoranda em Ciências Sociais – UFSCar Rosa Maria Araújo Simões, em artigo intitulado “CAPOEIRA ANGOLA: Uma discussão sobre turismo e preservação de recursos naturais a partir de tradições culturais”, nos coloca de forma clara a concepção de folclore a partir do senso comum e a visão acadêmico/científica que deve nortear nossas ações. Apesar dela se referir à Capoeira Angola, sua reflexão também é valida para a Regional.
 
A cultura é para ser preservada? Capoeira é mato que foi e nasce de novo...
Iniciemos esta discussão com a interrogação do título deste tópico e com a afirmação proveniente de um turista: a ‘capoeira é um folclore baiano’. Mesmo este munido de um fundo de verdade, faz-se necessário situar a questão do folclore, uma vez que à visão do turista está geralmente implícita uma abordagem romântica e conservadora sobre folclore e, que, em contrapartida, a postura a ser adotada aqui considerará o aspecto dinâmico do folclore enquanto cultura (portanto, não uma peça de museu cristalizada), o contexto social brasileiro e as abordagens implícitas na forma de pesquisá-lo, que vai desde essa visão romântica e conservadora, muitas vezes expressa nos discursos dos turistas e das administrações públicas locais, até a uma visão crítica sobre o mesmo, possibilitando assim, refletir sobre e elucidar algumas formas de transformação de cotidianos a partir dos elementos desta arte popular – a capoeira angola – a qual, como filosofia de vida, implica na contemporaneidade, em “fazeres” prazerosos, espontaneidade, liberdade de expressão, criatividade, enfim, qualidades que o ser humano busca viver por meio do lúdico, principalmente em seus momentos de lazer.(SIMÕES & CARDOSO 2004
)

 As manifestações folclóricas acumulam informações que, se usadas de forma consciente pelo povo, aumentam sua capacidade de discernir e avaliar sobre questões importantes como recusar normas sociais que impliquem em submissão ou dominação. Elas fortalecem seu poder de deliberar sobre suas próprias vidas.
 
 Ao contrário, a acomodação e aceitação passiva de idéias e “pacotes”, vindos do vértice da pirâmide social, econômica e política, são originadas no discurso vazio da impossibilidade do povo de lutar contra o sistema instituído, de resistir às suas investidas e principalmente de gerar cultura. Isto é facilmente observável já que as suas produções sob forma de Folclore ou Cultura Popular são vistas pelas classes dominantes como antigas ridículas e inúteis. Refiro-me ao processo de exploração de indivíduos de consciência ingênua, logo, acríticos que não dimensionam, ou o fazem de forma incipiente, o seu papel na sociedade, vindo assim a serem presas fáceis para o domínio de ideologias que lhes inferiorizam cerceando sua liberdade. Estes, ao aceitarem, de forma passiva, as ordens de quem é investido do poder, abdicam do direito de decidir sobre seus próprios destinos.


REFERÊNCIAS
FRADE, Cássia. Folclore. São Paulo: Global, 1997.
IBECC - INSTITUTO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO CIÊNCIA E CULTURA, COMISSÃO NACIONAL DE FOLCLORE. Carta do Folclore Brasileiro. Salvador: 1995.
SIMÕES, Rosa & CARDOSO, Marina. Capoeira Angola: Uma Discussão Sobre Turismo e Preservação de Recursos Naturais a Partir de Tradições Culturais. Disponível em: www.lmilani.com/m/content/view/534/98/ - 69k. Acessado em 02/02/2006.

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Comentários(9)RSS feed dos comentários
Postado por: Shion, em: 14-05-2006 10:38, IP 201.19.243.226, Visitante
1. Shion
ok! Já li alguns artigos sobre os dois citados. Mas ñ conheço de forma mais ampla. Aceito a indicação e irei lê seus outros textos, q ñ devem diferir em qualidade dos outros. Abraços! 
 
Shion
 
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Postado por: Visitante, em: 14-05-2006 04:50, IP 201.32.200.30, Visitante
2. Acúrsio
Agora, a leitura do Mestre Decânio é beber água na fonte. Ele é um dos responsáveis, juntamente com o Mestre Sisnando pela sistematização da Regional do Mestre Bimba. O cara é pura sabedoria e por diversas vezes nos fornece uma visão espiritual, esotérica da capoeira. Vale a pena.
 
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Postado por: Visitante, em: 14-05-2006 04:26, IP 201.32.200.30, Visitante
3. Acúrsio
Colega Velho... 
Sugiro, para a sua melhor informção sobre a capoeira, a leitura dos textos do Mestre Jean Pangolin, que além de ser um estudioso e pesquisador, diferentemente de mim, é mestre na arte o que vem consubstanciar com muita pertinência os seus comentários.
 
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Postado por: Visitante, em: 14-05-2006 04:15, IP 201.32.200.30, Visitante
4. Acúrsio
A capoeira para mim também é recente...Escrevieste livro em 2004, proveniente de dois anos de pesquisas na tentativa de entender um pouco deste universo fascinante. Porém, acredito estar dando alguma contribuição para alimentar estas discussões. E gosto de ser polêmico; isto faz acirrar as discussões e estes são os momentos em que crescemos.Tenho outros textos do livro publicados aqui no site de Milani e gostaria da sua opinião a respeito deles. Sugestão: Acho que você poderia também mandar alguma coisa prá gente ler...Acredito que poderia dar uma boa contribuição. Abraços! 
 
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Postado por: Shion, em: 14-05-2006 02:10, IP 201.19.243.14, Visitante
5. Shion
Olá! Tudo ok? Espero q sim! =D 
 
O último comentário de sua réplica talvez solidifique a minha inconstância. 
 
Citei os pontos caracterizadores mas mesmo assim fico com um sentimento de ñ aceitação, talvez por ser leigo no assunto ou por observar apenas por um dos prismas, uma realidade distorcida do q seja realmente o folclore.  
 
Ao escrever, eu mesmo notava q estava sendo contraditório em alguns momentos, mas um outro pensamento ( parecendo preponderante ) me fazia afirmar o contrário, mesmo q sem fundamento aparente! 
 
É por essas e outras q gosto de discussões saudáveis como essa. Ratifico e conserto alguns pensamentos em relação ao mais intrincado universo capoeirístico. 
 
Agradeço as dicas, informações e, apesar de ser novato nesse mundo da capoeira, estou aqui para aprender e acumular informações úteis para propagar e sustentar a boa imagem da nossa arte-cultural. E faço isso, lendo bons artigos e conhecendo pessoas com compromisso selado com a capoeira!  
 
Até mais, colega velho! =D 
 
Shion
 
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Postado por: Visitante, em: 13-05-2006 16:47, IP 201.32.200.30, Visitante
6. Acúrsio
Colega Velho D 
 
Sinto falta quando publico minhas idéias de comentários pertinentes, reflexivos e isentos de paixão como o seu. Mas uma vez agradeço a atenção. 
Vou tentar explicar as minhas posições, tendo como base fragmentos do seu texto, certo? 
 
 
 
Colega Velho D - Ñ estou na propriedade de um exímio conhecedor do assunto, logo peço uma atenuante nas falhas q por ventura venham a surgir nas próximas linhas, ok?  
 
Eu também não me coloco neste patamar de exímio conhecedor, porém tive a felicidade de poder estudar e conviver um pouco com alguns grandes pesquisadores do Folclore no Brasil como Cássia Frade, Raul Lody, Hildegardes Viana e através destas pessoas poder ter acesso a Câmara Cascudo, Edison Ramos, Florestan Fernandes dentre outros. É baseado nestas experiências e principalmente na Carta do Folclore, documento oficial de referência na área que coloco minhas idéias.  
 
 
Colega Velho D - Mas ñ discordo quando se aponta que existam elementos folclóricos na nossa arte-ginga.  
 
No meu modo de ver é ao contrário. Existem alguns elementos não folclóricos na capoeira, e eles são facilmente identificáveis quando vemos os shows feitos para agradar turistas onde a descaracterização e “invencionices” se tornam algo gritante. Aí com certeza não é folclore: È indústria cultural. 
 
 
Colega Velho D - Entendo por folclore, algo passado verbalmente q vai sendo passado de geração em geração preservando-se a originalidade ao máximo. Sempre sustentado de forma oral, havendo um consenso coletivo sobre aquilo q está sendo transmitido e com essência primordialmente popular.  
 
 
A característica da oralidade não é fator indispensável para o reconhecimento de uma manifestação como folclore, segundo a Carta do Folclore de 1995 Salvador/BA, documento que me serve de parâmetro. A oralidade se configura como um elemento recorrente, mas, não obrigatório. Veja o exemplo da literatura de cordel que é escrita e é folclore. Os elementos fundamentais exigidos são a Tradição, Aceitação Coletiva, Dinamicidade e Funcionalidade. 
 
 
Colega Velho D - Na Capoeira existe uma outra palavra semânticamente ligada ao termo folclore: é a lenda. Esta é caracterizada por uma "divinização de um algo real, de uma estória verídica".  
 
Você está correto quando coloca a lenda como uma história fantasiada sobre um fato real. É isso mesmo. Porém a lenda assim como os mitos(alguns), os autos populares dentre outras, se constituem uma manifestação folclórica. Ela não é apenas ligada semanticamente, ela é folclore por si própria. 
 
 
Colega Velho D - O camarada citou pontos característicos na construção de uma identificação própria para o termo folclore. Vou tentar citá-los - um a um - e ligá-los ao universo da capoeira...  
 
Quando o Colega Velho dá prosseguimento a este raciocínio comentando os quatro pontos básicos da identificação do fato folclórico, não vejo nenhuma divergência no nosso modo de pensar. Em todas as colocações feitas por você, eu estou totalmente de acordo. A confirmação que a capoeira atende aos quatro requisitos é a prova inconteste (segundo a Carta do Folclore Brasileiro) de que ela é folclore. Se por um acaso ela não contemplasse quaisquer dos itens citados, não poderia gozar deste privilégio. 
 
 
Colega Velho D - Mesmo q a capoeira apresente alguns elementos q possam caracterizar a existência da arte como folclore, ñ vejo como tal. 
 
Eu acho que o grande problema quando se fala em capoeira e folclore é conceitual. De que capoeira se fala e o que se entende por folclore. Muitas pessoas não aceitam a condição de ser folclore para a capoeira, porque têm um referencial negativo do que venha a ser folclore. Elas acham, por exemplo, que folclore é aquele espetáculo que é apresentado pelo Balé Folclórico da Bahia ou pelo Grupo Topázio. Estas entidades descarcterizam as manifestações a pretexto de “arte” e não raro fazem uma apresentação de qualidade duvidosa com forte dose de conotação sexual chula, vulgar mesmo. Então as pessoas pensam:  
- Isto é folclore; a capoeira que eu pratico não é isto; então capoeira não é folclore... 
Se as pessoas vissem o folclore como ele realmente é: As manifestações populares de maior prestígio e caras às populações, certamente teriam orgulho em considera-las como tal. Como falei a questão é conceitual. A escola em momento nenhum (nem em nenhum curso de formação, inclusive de professores) discute esta questão; as pessoas então não têm culpa de não saber...  
Apenas se você se interessa, estuda e pesquisa na área, irá ter por conta própria algum esclarecimento. Bom acho que já falei muito! 
Agradeço mais uma vez a atenção. 
 
Acúrsio 
 
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Postado por: Shion, em: 13-05-2006 02:33, IP 201.8.185.172, Visitante
7. ...
De bate-pronto, de forma objetiva, acho que a capoeira - seja regional ou angoleira - ñ é folclore.  
 
Ñ estou na propriedade de um exímio conhecedor do assunto, logo peço uma atenuante nas falhas q por ventura venham a surgir nas próximas linhas, ok? 
 
Mas ñ discordo quando se aponta que existam elementos folclóricos na nossa arte-ginga. 
 
Entendo por folclore, algo passado verbalmente q vai sendo passado de geração em geração preservando-se a originalidade ao máximo. Sempre sustentado de forma oral, havendo um consenso coletivo sobre aquilo q está sendo transmitido e com essência primordialmente popular. 
 
Na Capoeira existe uma outra palavra semânticamente ligada ao termo folclore: é a lenda. Esta é caracterizada por uma "divinização de um algo real, de uma estória verídica".  
 
Vez ou outra nos deparamos com feitos heróicos de capoeiristas e suas atribuições físicas de destreza ilimitada e permanente. Onde essas lendas "enfeitam" ladainhas e cantos gerais da nossa arte.  
 
Uma forma de exaltar aqueles q tanto fizeram ( e acredito q ainda fazem, através de seus legados ) pela manifestação da capoeira em sua plenitude.  
 
O camarada citou pontos característicos na construção de uma identificação própria para o termo folclore. Vou tentar citá-los - um a um - e ligá-los ao universo da capoeira.  
 
A aceitação coletiva >> De forma ampla, a capoeira já ocupa uma posição na sociedade. Ñ há uma repulsa evidente e drástica em relação à capoeira. Digo em tempos modernos...antigamente ñ era bem assim...mas...para se caracterizar um elemento folclórico há necessidade da sempre aceitação mesmo em tempos outros? Como vc ( acho q posso lhe chamar assim..rs ) mesmo citou, existe uma aceitação q atravessa oceanos. 
 
A tradicionalidade >>> É evidente no mundo da capoeira.Ñ há o q ressaltar ou completar. O passado é constantemente evocado nas celebrações e ritos capoeirísticos! 
 
A dinamicidade >>> Na minha opinião, necessária para a existência de tudo q tem como mestre, o tempo. Sem essa dinâmica tudo tende a acabar, estacionar e por obra natural, vem a extinção. Arrisco em dizer q a capoeira teria sofrido um duro golpe ( senão fatal ) em sua existência, ñ fosse a criação da Regional por Mestre Bimba. Trazendo para um ambiente "mais social e organizado" as lições da capoeira. A evolução sempre deve ser obervada por lições ancestrais de comportamento para que ñ exista a fragmentação da verdadeira essência. 
 
A funcionalidade >>> Seria redundante. Estarei apenas repetindo suas palavras. 
 
Mesmo q a capoeira apresente alguns elementos q possam caracterizar a existência da arte como folclore, ñ vejo como tal. Tudo na capoeira pode ser tão subjetivo e confuso, a própria arte é uma mescla de elementos diversos q fica dificil definir o q ela é realmente. Do nome até onde ela surgiu é pauta de debates e mais debates...Um consenso sobre o assunto ( como em muitos outros no campo da capoeira ) acho muito incomum. Talvez seja isso q coloque um grifo na qualidade de se praticar capoeira. Genuína, enigmática, atlética e acolhedora: essa é a nossa capoeira. E ñ digo isso sobre o manto legendário...rs.  
Abraços, colega velho! =D
 
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Postado por: Visitante, em: 09-04-2006 19:38, IP 196.45.163.9, Visitante
8. ...
:sigh :p ;) ;) :grin :) :roll :eek :upset :zzz :sigh
 
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Postado por: Visitante, em: 21-03-2006 17:28, IP 200.165.184.235, Visitante
9. Jean Pangolin
Realmente precisamos filtrar muitas de nossas expressoes e pensamentos,pois muitas vezes fortalecemos o discurso que nos oprime sem saber...... 
Acursio tem toda razao..... Capoeira e arte que flutua e transita em diversas areas,portanto o que importa realmente e o que fazemos com ela e nao o que parece ser ou dizem que e.... 
CAPOEIRA E FOLCRORE BRASILEIRO??? Pode ser ,so dependera da visao de cada um de folclore ,arte e capoeira.....rsrsrsrs 
 
Parabens Acursio,pois entre negarcas e mandingas de palavras esta escrevendo a capoeira das possibilidades,e essa e a capoeira que precisamos......
 
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