
Cena de: Maré Capoeira
Leia a Matéria e assista ao Filme:
Maré é o apelido de João, um menino de dez anos que sonha ser mestre de capoeira como seu pai, dando continuidade a uma tradição familiar que atravessa várias gerações. O curta mistura ficção e documentário para contar uma pequena história de amor e guerra.
Paola Barreto Leblanc nasceu em 1971 no Rio de Janeiro, onde atualmente vive e trabalha como diretora, produtora e roteirista. Começou a fazer filmes em super 8 no ginasial da escola EDEM e em 1986 representou o Brasil no Jury Infantil do Festival International du Film Pour l´Enfance et la Jeunesse, em Paris. Antes de “Maré Capoeira” dirigiu dois premiados curtas infantis: “O Sumiço do Amigo Invisível” (2002) e “O Filme dos Porquês” (2003) exibidos em Barcelona, Miami, Buenos Aires, Montevideo e Santiago, entre outros Festivais; além do documentário “Me Erra!” veiculado no canal a cabo GNT e nos Festivais de Havana, Sevilla, e É tudo Verdade. Atualmente trabalha na série de documentaries curtos “É Campeão” que versa sobre crianças e esportes e está sendo apresentada a canais de TV no Brasil e no exterior.
Minha motivação veio a partir de meu filho mais velho, Antonio, que pratica Capoeira desde os 06 anos de idade (hoje ele está com 10) com o Mestre Chaminé na escola Lycée Moliere, no Rio de Janeiro.
Eu sou documentarista, já tinha realizado dois curtas sobre o universo infantil, e fui procurada por uma amiga e parceira, a cineasta Rosane Svartman, que tinha uma idéia junto com a roteirista Fabiana Egrejas, de fazer uma pequena história da Capoeira para crianças. Juntas, desenvolvemos o roteiro de um curta e enviamos a um concurso para producão de filmes curtos para crianças promovido pelo MinC e a TVE.
Fomos um dos projetos selecionados e com o prêmio obtido, iniciamos em maio de 2005 através da A.R. Produções, a produção do filme.
Saí a procura de crianças para o filme aqui no Rio de Janeiro e tive a sorte de conhecer o Ferradura, que faz um trabalho bem legal de ensino de Capoeira em colégios da cidade, além de ter um olhar bom pra cinema também. O Ferradura colaborou com a pesquisa e a redação final do roteiro, ajudando a formatar de maneira mais clara e eficiente nosso roteiro. Escolhemos as chulas, de acordo com a evolução da narrativa, ensaiamos muito com as criancas e fizemos uma vasta pesquisa iconográfica.
Depois de testar várias crianças, acabamos escolhendo o Felipe Santos, que é um menino maravilhoso que eu já conhecia de outros curtas que tinha feito, e que pratica no planetário com o Nestor.
Sempre tive como meta realizar uma pequena introdução que procurasse apresentar a Capoeira em sua amplitude, sem incentivar dissidências entre as diferentes formas de jogar, tentando armar no filme uma roda com espaço para todos os tipos de jogo, dos mais acrobáticos aos mais mandigueiros, dos velozes aos de dança elaborada, da angola ao regional. Montamos uma roda bem variada, com homens, mulheres, crianças, gordinhos, parrudos, atletas, enfim, gente de tudo que é tipo, uma forma de colocar a Capoeira ao alcance de todos e não limitada a figuras-estereótipo.
Escolhi rodar no Largo de São Francisco da Prainha, aqui no Rio de Janeiro, porque é um local de carga histórica enorme - negros chegados do tráfico negreiro eram negociados ali - além de visualmente remeter às fotos incríveis que Pierre Verger fez de Capoeiristas. O chão de paralelepípedos pesados, o casario ao redor, tudo contribui com informação visual relevante e pertinente ao imaginário e à iconografia da Capoeira.
Definido o elenco e o local, agendamos 2 dias de filmagens.
Em um dia fizemos a roda, utilizando apenas luz natural. O Fotógrafo Mauro Pinheiro Jr., parceiro de tantos projetos, abraçou com carinho a idéia, e fizemos reuniões onde estudamos fotos, jogos e meios não didáticos, mas poéticos de filmar a Capoeira. Nossa intenção não era simplemente registrar os jogos, mas evocar, por meio de imagens fragmentadas, o sentimento da roda, filmando com planos fechados detalhes do que se passa num jogo, uma perna que passa, uma ginga de lado, enfim com sutileza construir uma imagem cinematográfica dos instantes e não um teatro filmado.
Em um dia fizemos as cenas na praia e os retratos de família.
Filmamos em agosto de 2005, montamos em 2 meses no meu computador e finalizamos em mais um mês com um trabalho sonoro muito elaborado feito pela trilha do Estúdio ArpX e a edição de som da Artesanato Digital. Com o apoio da Link Digital finalizamos primorosamente o curta, e em dezembro do mesmo ano estreamos no Festival Internacional de Curtas do Rio de Janeiro. Desde então o filme já participou de mais de 20 Fetivais Internacionais de Cinema, e ganhou prêmios na Alemanha, Argentina e Brasil.
Faz parte da programação "Curta Criança" da TVE e está disponível no site
www.portacurtas.com.br - recebendo sempre comentários elogiosos.
Fico muito feliz e grata pela repercussão que o filme vem obtendo, é um estímulo para a gente insistir em trabalhar com arte e cultura, apesar de todas as dificulades de ordem financeira que são obstáculos a se trasnpor.
Atualmente tenho um projeto de uma série de filmes curtos sobre esporte para crianças, "É Campeão!", que vai apresentar de maneira divertida alguns dos esportes do PAN às crianças. Estamos a procura de parceiros para desenvolver este projeto em 2007.
ABs
Paola