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Notícias e Atualidades Capoeira Notícias - Atualidades

Missão de Pesquisas Folclóricas - Mário de Andrade PDF
 
Escrito por: SESC,em:21-11-2006 13:51
Acessos: 2425    
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Missão de Pesquisas Folclóricas - Mário de Andrade
Missionários
Curiosos e apaixonados pela história da cultura brasileira não precisam mais esperar para ter acesso ao resultado de uma das mais importantes pesquisas culturais já realizadas no Brasil.
 
O SESC SP e a Secretaria Municipal de Cultura lançam, no SESC Vila Mariana, a coleção Missão de Pesquisas Folclóricas - Mário de Andrade, com 7h de música recolhidas pelo Brasil em 1938 e inédita para o público até o momento.
 
Produzido pelo Selo SESC, o material reúne em seis CDs, pela primeira vez, o acervo da Missão - caravana que em 1938 foi enviada ao norte e nordeste do Brasil sob a coordenação de Mário de Andrade, o então Diretor do Departamento de Cultura da Cidade de São Paulo (1935-1938). Os CDs trazem 279 faixas correspondentes a 293 fonogramas originais de Xangô do Recife, canto indígena dos Pancararu, Aboios, repertório da Pajelança em Belém do Pará, cantos de carregadores de piano, bumba meu boi, congo, reisado, entre outras manifestações dos mais de 70 grupos representados na Missão.
 
Para o lançamento da coleção, o SESC e a Prefeitura de São Paulo organizaram uma série de atividades: shows com o grupo A Barca e Dona Senhorinha Freire, hoje com 86 anos e registrada pela Missão quando passou por Tacaratu (PE).
O Portal Capoeira está disponibilizando para download, duas faixas desta fantástica coleção, fica a dica de excelente investimento cultural, para comprar a coleção: Missão de Pesquisas Folclóricas - Mário de Andrade, visite o SESC mais próximo a sua casa ou acesse o site: http://www.sescsp.org.br
 
Para baixar as faixas, clique nos links abaixo:
 
Para Ouvir uma das faixas, clique no player: 

"Clique para ouvir..." (Mini-MP3-Player 1.2 ©Ute Jacobi)


O acervo preservado há 68 anos
 
Idealizada e organizada por Mário de Andrade, a expedição foi realizada por uma equipe de quatro integrantes - Martin Braunwieser, músico e maestro do Coral Paulistano; Luiz Saia, arquiteto e membro da Sociedade de Etnografia e Folclore, pesquisador da Divisão de Documentação Histórica e Social e chefe da missão; Benedito Pacheco, técnico de som e Antônio Ladeira, assistente técnico de gravação do Departamento de Cultura.
 
Missão de Pesquisas Folclóricas - Mário de Andrade
Caboclinho
O escritor viabilizou a expedição, temendo que, com a crescente urbanização, muitas manifestações populares desaparecessem; seu objetivo era mapear fiel e detalhadamente as manifestações típicas de dança e música das regiões do Norte e Nordeste do Brasil, registrando tudo em filme, fotografia, desenho, partitura, texto e gravação fonográfica.
 
Após quase seis meses de viagem, os pesquisadores registraram cânticos diversos, cantigas de roda, cantos de pedintes, cantos de carregadores de piano, bumba meu boi, congo, reisado e côco, entre outros.
 
Em 1938, quando o Departamento de Cultura financiou a Missão de Pesquisas Folclóricas, Mário de Andrade deparava-se com o dilema da modernidade: ao mesmo tempo que as manifestações populares corriam o risco de desaparecer com a crescente urbanização do país, o avanço tecnológico da época proporcionava meios de capturá-las em discos, fotografias e filmes, explica Carlos Calil, Secretário Municipal de Cultura de São Paulo
 
Mário de Andrade defendia que a coleta dos dados fosse gravada, pois, ao se recorrer a registros escritos de tradições orais e costumes seria omitida a fala coloquial, impedindo sua proposta de registro fiel.
 
Em algumas cidades foi possível para a Missão colher instrumentos, vestimentas e objetos relativos aos assuntos pesquisados. Nos dias em que não gravava, a caravana se dedicava também a outros temas, registrando detalhes da fabricação de utensílios populares, aspectos da arquitetura, da poética popular etc.
 
O material, que compõe o acervo da Discoteca Oneyda Alvarenga, encontra-se sob a guarda do Centro Cultural São Paulo desde 1993 e até hoje estava disponível somente para consulta de pesquisadores. O lançamento do Selo SESC visa compartilhar a riqueza do acervo, e é também uma forma de prestigiar a dedicação de Mário de Andrade para a conclusão dessa pesquisa e o empenho de Oneyda Alvarenga, primeira diretora da Discoteca Pública, para viabilizar a organização e difusão do material.
 
Hoje, toda a colheita sonora de Mário e sua Missão sai dos armazéns e torna-se disponível ao público com esta coleção de CDs. Após a captação realizada pela Missão há mais de 60 anos, selamos aqui o compromisso de uma nova fase, a distribuição destes saberes, explica Danilo Santos de Miranda, diretor regional do SESC São Paulo
 
O acervo formado pela Missão de Pesquisas Folclóricas e preservado há 68 anos tem sua importância comprovada frequentemente. No início da década de 40 a Biblioteca do Congresso de Washington, copiou para si todos os fonogramas gravados em 1938. No dia-a-dia da musicologia brasileira pesquisadores têm buscado temas de estudo sobre o cantar do povo brasileiro e sua transformação. O material, estará disponível para todos os interessados nas Lojas SESC.
 
Missão de Pesquisas Folclóricas - Mário de Andrade
Caixa contendo seis CDs, um livreto bilíngüe sobre a Missão e três catálogos histórico-fonográficos, terá venda exclusiva nas Lojas SESC
 
http://www.sescsp.org.br
http://www.sescsp.or...dex.cfm?paramend=1&IDCategoria=4396#loja

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Postado por: Visitante, em: 02-02-2007 14:29, IP 195.23.101.208, Visitante
1. UOL
Coleção de música há muito perdida liga Brasil às suas raízes 
 
Larry Rohter 
em São Paulo 
 
De meados dos anos 30 em diante, o etnomusicólogo americano Alan 
Lomax liderou expedições ao Sul dos Estados Unidos em busca de 
cantores autênticos de música folk e blues. Graças a estes esforços, 
Muddy Waters e Woody Guthrie fizeram suas primeiras gravações e foi 
estabelecido um modelo para a música popular americana. 
 
 
Uma foto não datada mostra a Missão de Pesquisas Folclóricas de Mário de Andrade 
No início de 1938, Mário de Andrade, o secretário municipal da cultura 
daqui, enviou uma Missão de Pesquisas Folclóricas, composta por quatro 
membros, ao interior do Nordeste brasileiro em uma missão semelhante. 
Sua intenção era gravar o máximo de música o mais rapidamente 
possível, antes da crescente influência do rádio e do cinema começar a 
transformar a cultura distinta da região. 
 
Viajando de caminhão, cavalo e jegue, eles gravaram tudo e todos que 
pareciam interessantes: carregadores de piano, vaqueiros, pedintes, 
sacerdotes de candomblé, trabalhadores de pedreiras, pescadores, 
trupes de dança e até mesmo crianças brincando. 
 
Mas a coleção da missão brasileira acabou abandona em depósitos daqui. 
Apenas agora, após quase 70 anos, o registro do que Mário de Andrade 
chamou de "tesouro prodigioso condenado a desaparecer" está finalmente 
disponível, na forma de uma caixa com seis CDs que documenta as raízes 
de virtualmente todo estilo importante da música popular brasileira 
moderna, do samba ao mangue beat. 
 
"Este é um evento importante porque todas as principais tendências, 
sejam de origem européia, africana ou indígena, estão representadas e 
são detectáveis", disse Marcos Branda Lacerda, o diretor do projeto do 
CD, organizado pela prefeitura da maior e mais próspera cidade do 
Brasil. "Abrange de tudo, e quando você escuta, é possível ouvir as 
influências que radiam" e tornam a música brasileira a força global 
que é hoje. 
 
A caixa de CDs chamada "Música Tradicional do Norte e Nordeste - 1938" 
consiste de mais de sete horas de música, extraídas de 1.299 faixas 
por 80 intérpretes, totalizando quase 34 horas, gravadas pela equipe 
de folcloristas em cinco Estados do Norte e Nordeste do Brasil durante 
a primeira metade de 1938. 
 
Muitos dos estilos documentados nas gravações provaram ser uma grande 
influência no movimento Tropicalista, que surgiu aqui nos anos 60 e 
hoje conta com admiradores internacionais como David Byrne, Beck e 
Devendra Banhart. Os fundadores daquele movimento, principalmente 
Caetano Veloso, Tom Zé e Gilberto Gil, o atual ministro da Cultura do 
Brasil, vieram do interior do Estado nordestino da Bahia e reconhecem 
abertamente sua dívida. 
 
"Esta é a música que eu ouvia quando era criança na loja do meu pai, e 
é de onde vem toda a riqueza e força da música popular brasileira", 
disse Tom Zé em uma entrevista. "Como filhos de portugueses, Caetano e 
Gil e todos nós tropicalistas absorvemos esta influência folclórica, a 
transmutamos e então a levamos ao mundo." 
 
Tom Zé também notou que a música do Nordeste brasileiro que veio de 
Portugal também era resultado de uma mistura cultural, especialmente 
do domínio árabe ali durante a era medieval. As letras de algumas 
canções na compilação remontam os contos de trovadores daquela época, 
mas a presença árabe se manifesta principalmente no estilo 
caracterizado pelo gosto por modulações vocais. 
 
"Tal influência ainda está aí na música popular brasileira de hoje", 
ele disse. "Eu a ouço de forma mais clara e bela quando Caetano canta. 
Ele desenvolveu uma forma sofisticada, inventiva, de usar estas 
modulações que eram bem comuns nos cantores que ouvíamos lá no sertão 
nordestino." 
 
Apesar do principal foco da expedição parecer ser os ritmos, os 
violonistas ficarão particularmente interessados no terceiro e quarto 
discos, que incluem gravações de campo de duplas conhecidas como 
repentistas. Como no blues, este gênero baseado em violão enfatiza 
desafio e resposta e freqüentemente emprega uma mistura de bravatas e 
insultos que os americanos conhecem como "the dozens". 
 
Há trinta anos, após uma visita ao país, um repórter tocou algumas 
gravações de repentistas para o guitarrista primitivista americano 
John Fahey. Como uma pessoa interessada em música folclórica de todas 
as partes do mundo, Fahey expressou curiosidade com as afinações e 
escalas usadas e apontou que os vocais roucos, ásperos, um tanto 
anasalados, lembravam os de Son House e Bukka White. 
 
"Dá-me calafrios pensar nas semelhanças", entre o blues americano e a 
música do Nordeste, disse Tom Zé. "É como se Mamãe África acabasse com 
netos no Alabama e Pernambuco", o Estado onde a missão folclórica 
iniciou seu trabalho. 
 
Das três principais correntes culturais que se misturaram para tornar 
o Brasil o que ele é, o elemento ameríndio está menos representado nos 
discos do que os componentes europeus e africanos, disse Lacerda. Mas 
a coleção contém canções interpretadas por bandas de pífanos, grupos 
de orígem indígena, assim como gravações de praiás, um ritual musical 
de origem indígena que praticamente desapareceu do Brasil moderno. 
 
O projeto original foi idéia de Mário de Andrade, um dos intelectuais 
mais proeminentes do Brasil no século 20. Poeta, romancista, crítico, 
historiador da arte, musicólogo e autoridade pública, Mário de Andrade 
estudou para ser pianista, mas em 1923 se tornou um dos fundadores do 
movimento literário modernista, que dominou a cena cultural brasileira 
por muitas décadas. 
 
"Nos anos 30, Mário de Andrade e outros sentiram uma urgência de 
registrar as manifestações populares da cultura antes que fosse tarde 
demais", disse Flávia Camargo Toni, uma musicóloga que escreveu parte 
dos textos da caixa. "A eletricidade ainda não tinha chegado a grande 
parte do Nordeste, de forma que a vida estava completamente isolada e 
poucas pessoas viajavam. Então ele sentiu que precisava aproveitar o 
momento." 
 
Durante a Segunda Guerra Mundial, cópias das gravações foram enviadas 
à Biblioteca do Congresso em Washington. Há uma década, a Rykodisc 
lançou uma amostra em um único disco, co-produzido por Mickey Hart, o 
baterista do Grateful Dead, chamado "The Discoteca Collection", como 
parte do Projeto Música Ameaçada da Biblioteca do Congresso, mas foi 
só em 2000 que os esforços de restauração tiveram início aqui. 
 
"Quando vi pela primeira vez o material nos anos 80, o teto estava 
ruindo, havia goteiras e achei que perderíamos tudo", disse Lacerda. 
"Mas fiquei bastante surpreso quando descobri que a maioria dos discos 
de 78 rotações estava em boas condições, e quando não estavam, tivemos 
sorte em encontrar duplicatas que pudemos copiar diretamente para o CD 
e então eliminar muitos chiados." 
 
Durante suas viagens, a expedição também reuniu instrumentos musicais 
e outros objetos, assim como filmou e fotografou danças e festivais. O 
resultado de tal empreendimento foi exibido em um centro cultural 
municipal daqui, incluindo as anotações da equipe de campo, o gravador 
Presto Recording Corporation que usou e transcrições de entrevistas 
com os intérpretes. 
 
Na época em que as gravações foram feitas, o Brasil era governado por 
uma ditadura que proibiu as práticas religiosas afro-brasileiras. Como 
resultado, a equipe precisou de uma carta de autorização da polícia 
para realizar seu trabalho, e "uma boa parte dos objetos que reuniram, 
especialmente os tambores, vieram de material confiscado nas 
delegacias", disse Vera Lúcia Cardim de Cerqueira, uma curadora do 
centro. 
 
Apesar de toda a sofisticação musical do Brasil e exposição aos 
estilos internacionais de música nos últimos anos, a herança continua 
relevante. Tom Zé se referiu especificamente a "What's Happening in 
Pernambuco: New Sounds of the Brazilian Northeast", que será lançado 
pelo selo Luaka Bop de David Byrne em 7 de fevereiro, e que ele disse 
estar saturado de ritmos derivados daqueles documentados pela 
expedição folclórica. 
 
No passado, o Brasil "não tinha uma cultura de preservação", disse 
Flávia Camargo Toni, o que complica os esforços para situar a evolução 
musical do país em seu próprio contexto. Mas agora que as gravações da 
missão estão finalmente disponíveis, disse, os brasileiros têm "a 
possibilidade de escutar o passado pensando no futuro". "Nós podemos 
mostrar como éramos, como somos e como isto aconteceu", ela disse. 
 
Tradução: George El Khouri Andolfato 
 
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