Quem ainda não adquiriu a 2a. edição do Dicionário de Capoeira tem uma oportunidade imperdível nesse mês de outubro. Nesse mês o Dicionário pode ser adquirido por apenas R$ 20, já inclusa a postagem, para qualquer cidade do Brasil. Para receber o Dicionário pelo correio deposite a quantia na conta do próprio autor, Mano Lima, Banco do Brasil, agência 1231-9, conta corrente 21.987-8. Em seguida, informe o depósito e o endereço para envio por telefone ou e-mail (abaixo).
A 2a. edição - revista e ampliada - do Dicionário tem 208 páginas e mais de 1.400 verbetes. A obra foi construída a partir de pesquisa bibliográfica e de entrevistas com mestres de capoeira. Como o Dicionário foi editado de forma independente, o autor conta com a sua colaboração, adquirindo um ou mais exemplares do Dicionário, divulgando-o na imprensa de sua região ou revendendo-o em seu grupo. Veja mais informações sobre a obra, inclusive a capa, nos sites www.portalcapoeira.com e www.manolima.com.
Vencedores da Promoção "Dicionário de Capoeira" - Portal Capoeira
Parabéns aos vencedores toda a equipe do Portal Capoeira deseja que este importante livro sirva para ampliar os seus saberes e fomentar a vontade e a sede de conhecimento...
Ainda não entrou em contato (se a vencedora não nos contactar até o final do mês, iremos fazer um novo sorteio para entregar o exemplar que ainda não foi reclamado.)
Venho por esta agradecer ao Portal da Capoeira por ter obtido o prazer de receber o Dicionário da Capoeira, mesmo ainda nao tendo lindo acredito ser mais um instrumento de grande valia para os capoeirista e que venha a somar mais ainda na promoçao de nossa cultura da capoeira, agradeço grandemente ao Portal da Capoeira e ao autor Mano Lima, e espero anciosamente ler o Dicionário da Capoeira.
FORMANDO juruna (grupo capoeira brasil) association CAPOEIR'ART
MARSEILLE-FRANCA
obrigado
Para saber mais sobre a Promoção "Dicionário de Capoeira" - Portal Capoeira, clique aqui.
Postado por: Visitante, em: 24-10-2006 13:59, IP 81.193.95.25, Visitante
1. Mestre Luiz Renato Vieira
O crescimento do interesse pela capoeira, em todos os seus aspectos, e em todos os cantos do mundo, tem sido, de fato, surpreendente. A mesma riqueza que se expressa na diversidade das formas do jogo, manifesta-se, também, na diversidade do conhecimento que sobre ela se produz. Muito já se escreveu sobre a nossa arte-luta. Da pena dos romancistas, ainda no século XIX, surgiram os primeiros escritos. Vieram, logo após, os estudiosos do folclore, destacando, na luta brasileira, seu caráter exótico. Não se tardou a perceber sua potencialidade como método ginástico e modalidade de luta enriquecida pela negaça e pela capacidade de improvisação que dão o tom da cultura brasileira, e esse enfoque permeou parte significativa dos escritos sobre a capoeira nos anos que se seguiram. O passo seguinte foi a discussão de sua integração às instituições formais, acompanhando o processo de modernização cultural que marcou o País, sobretudo ao longo da primeira metade do século XX. Inicialmente, falou-se em integração seletiva, em perspectiva eugênica condizente com o espírito vigente no Brasil até a década de 30, procurando excluir os mitos e símbolos e que remetessem à ancestralidade africana e à memória de resistência à opressão; aos poucos, entretanto, uma visão culturalista ganhou espaço nas discussões sobre a capoeira e ela se firmou no cenário nacional como modalidade com status próprio, dotada de princípios culturais, regras e tradições indissociáveis de sua cultura corporal. Despertaram, então, os acadêmicos para o estudo dessa rica manifestação da cultura brasileira. O divisor de águas nos estudos sobre a capoeiragem é, sem dúvida, o clássico estudo de Waldeloir Rego, intitulado A Capoeira Angola: ensaio sócio-etnográfico, publicado em 1968. Um livro brilhante, seminal. No entanto, apenas na década de 80 pode-se falar em um debate acadêmico consolidado sobre a capoeira em várias áreas do conhecimento, da educação física aos diversos ramos das ciências humanas. Atualmente, contam-se às centenas as teses, dissertações e ensaios acadêmicos que analisam em profundidade esse fenômeno complexo que é a capoeira. Os estudos mais recentes ampliam, cada vez mais, seu enfoque: além de examinar as relações da capoeiragem com as diversas esferas da sociedade brasileira, abordam sua inserção na cultura no mundo globalizado. O que me parece importante ressaltar nesse percurso, é a convergência de dois movimentos: a expansão da prática capoeira e o aprofundamento de um conhecimento específico e aplicado. Como não poderia deixar de ser, as informações provenientes das pesquisas acadêmicas e científicas misturam-se, no universo da capoeiragem, a outras formas de conhecimento, saberes populares e tradicionais. Entre esses dois pólos, o acadêmico e o da cultura popular, vai-se desenvolvendo uma rica articulação. Em tal contexto, um empreendimento como esse, do jornalista Mano Lima, é mais do que oportuno. Editar um Dicionário de Capoeira é, antes de mais nada, reconhecer que, muito mais do que uma simples modalidade de luta, a capoeira compõe um corpo cultural próprio e elaborado, dotado de linguagens que se interseccionam em uma riquíssima mistura. Os diversos planos textuais que estruturam a capoeira como fenômeno cultural – a linguagem corporal, a musicalidade, a ritualística da roda, a simbologia da indumentária – se conectam e condensam seus sentidos na linguagem oral e articulada. Assim, ao se propor a tarefa de organizar o léxico da capoeira, Mano Lima escolhe enfrentar um desafio. E o faz muito bem porque, com humildade intelectual e rigor nos estudos que empreende, vem ampliando suas fontes e enriquecendo seu trabalho em uma pesquisa permanente. Um “obra em construção”, diz, muito apropriadamente, o autor, que sabe que os caminhos que levam ao conhecimento da capoeira são difíceis, pela diversidade de visões, de perspectivas regionais e de enfoques políticos que permeiam a modalidade nos dias de hoje. Muito me honrou, portanto, a incumbência de prefaciar a segunda edição, revista e ampliada, desse Dicionário de Capoeira, que já se firmou entre os praticantes e interessados na arte-luta como importante obra de referência. Mais do que isso, trata-se veículo de divulgação científica – pela qualidade das fontes bibliográficas pesquisadas – e cultural de destaque em qualquer acervo sobre a nossa capoeiragem. Parabéns, jornalista Mano Lima, pela contribuição que traz, enriquecendo e qualificando as discussões sobre a capoeira no Brasil e no mundo.
(*) O autor é mestre do grupo Beribazu e doutor em Sociologia da Cultura