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Molinha, a Historia é feita por pessoas comuns!!!
 
Escrito por: Simona Mariotto, em: 20-03-2008 15:28
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Nossa mais nova colaboradora, Simona Mariotto, aluna do Grande Mestre Jelon, acaba de nos brindar com uma entrevistas muito bacana com a Capoeirista Molinha, a primeira mulher não brasileira a ensinar Capoeira na Itália.

Molinha conheceu a capoeira quando ainda não existia (havia) essa moda dos dias de hoje que parece ter contagiado todos os povos da terra!!

Aluna do Mestre Baixinho (um dos responsáveis por ter levado a capoeira até a Itália) formou-se em 1997 no Brasil, na “Associação de Capoeira Filhos de São Bento Grande”, tornando-se a primeira mulher não brasileira a ensinar Capoeira na Itália.

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A Historia é feita por pessoas comuns!!!

Entrevista: Molinha

1) Como conheceu a capoeira e por que decidiu treinar?

Conheci Mestre Luiz Martins De Oliveira - Mestre Baixinho- através de amigos em 1988, na cidade de Milão (Itália). Na ocasião, convidou-me pra uma aula experimental na academia onde trabalhava com a capoeira. Eu fui sem nada saber dessa arte, e mesmo assim gostei muito, pois senti que nela havia muita energia. Fiz minha inscrição e nunca mais parei!
Resolvi continuar por causa de duas razões: a primeira, é que era muito divertido e despertava minha curiosidade (no começo Mestre Baixinho não sabia falar italiano; portanto não era nada fácil entendê-lo enquanto dava aula!!); além disso, na Itália ninguém sabia o que era a capoeira e para mim essa arte era tão bonita que tinha de ser conhecida e apreciada justamente lá, ,no Pais dos artistas!!!

Assim tomei minha decisão: faria o possível para ajudar meu Mestre na divulgação da capoeira. E assim foi!
Inicialmente, não me dei conta do enorme fardo que iria carregar, mas agora posso afirmar ter cumprido meu compromisso (minha missão), apesar das dificuldades.
Em 1991 Mestre Baixinho, juntamente com Molinha e outros alunos italianos, fundou a “Associazione Italiana di Capoeira Filhos di São Bento Grande”, na cidade de Milão.

2) Qual sua relação com a capoeira?

É muito profunda e tem influenciado todas as minhas escolhas de vida, durante meus 20 anos. As aulas que eu ministro são de segunda a sábado (no domingo descanso,ou realizo apresentações com meus alunos).

Durante os anos encontrei um equilíbrio entre a capoeira e os outros aspectos de minha vida, meu cotidiano... é só uma questão de organização.
Em primeiro lugar, decidi não viver só de capoeira porque é um caminho muito difícil e não quero correr o risco de ficar presa somente ao retorno econômico.
Para mim, o mais importante é a “autenticidade” dessa arte, por isso as pessoas que a praticam precisam entender os outros aspectos culturais, tais como a música, os fundamentos, as tradições, os rituais...

3) Que atividade você desenvolve com a capoeira?

Em 1997 comecei a dar aula para poucos alunos. Em 2000, fundei meu grupo chamado “Capoeira Sou Eu”, que ainda considero um grupo jovem; mas tenho o desejo que cresça, não só em numero de participantes, mas também em qualidade e nível de capoeira.
Desde que comecei a dar aula, sempre mantive contato com meu Mestre ou com seu Mestre (Mestre Brasília). Isso ajudou-me a ter uma direção de trabalho bem definida. Em 2007 recebi minha corda de Monitora.
Nosso grupo organiza varias iniciativas: rodas e apresentações. No ano passado organizamos uma palestra denominada “poesia in una lotta” (poesia numa luta). Tratava-se de uma apresentação cultural sobre a história da capoeira e sobre sua atual presença nas varias formas de arte e comunicação moderna (livros, pinturas, internet, propaganda...).
Aqui na Itália, com meus alunos, participamos de cursos, rodas e batizados.
Toda vez que nos é possível viajamos ao Brasil e, juntos, visitamos academias, participando de cursos e palestras.

4) Quais são os momentos marcantes que você lembra na sua trajetória?

Alguns encontros que eu tive.
Por minha sorte, pude conhecer grandes pessoas que me transmitiram muitos ensinamentos através de sua generosidade e simplicidade.
Primeiramente, o contato que sempre mantive com Mestre Brasília ajudou-me muito: devo a ele muitos conselhos que às vezes, naquele determinado momento eu nem entendia, mas que com o passar dos anos tornaram-se muito úteis.
Em 1991, durante uma viagem ao Brasil, visitei a academia de Mestre Canjiquinha. Lembro-me bem de sua alegria e também da bela rasteira que deu num aluno durante um jogo!!

Em Milão tive a oportunidade de conhecer Mestre Leopoldina, que foi até em minha casa, durante uma temporada na Itália. Quando o vi na roda, o que mais me chamou atenção foi a elegância de seus movimentos e a grande esperteza no jogo.
Enfim, em todos esses anos foram muitos os momentos marcantes e de emoção, mas talvez o mais importante foi minha decisão de continuar a treinar e de me formar na capoeira, apesar de conhecer muito bem as dificuldades que iria enfrentar por ser mulher e por não ser brasileira.



Mais informações: http://www.capoeirasoueu.it

Simona Mariotto - Este endereço de e-mail está sendo protegido de spam, você precisa de Javascript habilitado para vê-lo


Publicado em: : Capoeira, CAPOEIRA MULHERES - A Postura Feminina na Capoeira
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A mulher comprou o jogo
 
Escrito por: Dagma Aparecida Marcelina, em: 07-03-2008 21:03
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Na belíssima crônica “Mulher na capoeira: Claudivina Pau-de-Barraca”, a capoeira brasileira Lúcia Palmares, radicada na França, nos brinda com um relato magnífico que bem ilustra a presença da mulher na capoeira de outrora. De acordo a autora, na capoeira de outrora as poucas mulheres que ousavam entrar na roda eram rejeitadas pelos homens, que viam nisso uma intrusão em seu “território”.

Para demonstrar que as mulheres souberem driblar o machismo e conquistar o seu espaço, Lúcia homenageia mulheres capoeiristas que alcançaram notoriedade como Claudivina Pau-de-Barraca, Rosa Palmeirão e Maria Doze Homens, pioneiras na arte da vadiação, terreno antes monopolizado pelos homens.

A crônica serve de alerta. “Conheci as dificuldades que as mulheres enfrentaram tanto olhares, agressões verbais e xingamentos como desrespeito no jogo de capoeira ou do batuque, por terem tido a ousadia de entrarem naquele mundo sagrado dos homens”, destaca a autora.

De fato, como destaca a autora, há 20 anos era rara a presença da mulher na capoeira. Hoje em dia, em muitas escolas e academias elas são maioria. Mestre Pastinha, disse certa vez, em seu saber profético, que a mulher ainda iria dominar a capoeira. Não é exagero afirmar que a mulher comprou o jogo, entrou na roda, mas não abriu mão de sua identidade. Ao contrário, ao interagir com o vigor masculino, levou para a ginga a sensualidade, o aspecto lúdico, a graciosidade e a beleza estética.

Em tempo de exacerbada da violência urbana, muitas mulheres buscam na capoeiragem um meio de defesa pessoal. Outras a adotaram como terapia para modelar corpo e tonificar a mente. Muitas educadoras ganham a vida no ofício de ensinar a capoeira, enquanto algumas se dedicam ao artesanato temático, fabricando cordas, instrumentos de percussão e indumentária para a prática esportiva. De uma forma ou de outra elas ajudam a redefinir o corpo social que hoje caracteriza a nossa arte.

No entanto, a presença da mulher nas rodas de capoeira ainda é desproporcional à sua participação em instâncias dirigentes como as federações e associações de capoeira. Para alguns camaradas, a presença da mulher é bem vinda na roda, mas vista com desdém em postos de comando. Essa situação tende a ser revertida, afinal, quem joga, quem ginga, também pode dar rasteira na discriminação – ancorada no frágil discurso contra o “sexo frágil” - e conquistar o seu lugar ao sol no que diz respeito à liderança na capoeira.

Dagma Aparecida Marcelina
Dagma
Quando os homens capoeiristas compreenderem que a presença da mulher em todas as instâncias da capoeira contribuirá para o fortalecimento de todos, essa dicotomia vai desaparecer, a exemplo do que ocorreu no mercado de trabalho e no controle familiar, onde os dois sexos atuam com igualdade de chances e responsabilidades.

(*) A autora é capoeirista, estudante de Direito e Presidenta da Associação de Capoeira Ladainha .


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