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Carolina Soares: A voz feminina ecoando em um universo tipicamente masculino...
Escrito por: Luciano Milani, em: 05-03-2006 22:39
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"Músicas de Capoeira Vol 2" é o segundo trabalho da Paulista, Carolina Soares, interpretando cantigas de capoeira, de forma mágica e inovadora, a voz feminina ecoando em um universo tipicamente masculino... (se não me engano, Carolina foi a primeira mulher a gravar um CD de Capoeira). O Cd vem repleto de boas surpresas e com qualidade músical indiscútivel.
Natural da cidade de Iguape, São Paulo, Carolina começou sua carreira artística cantando em bares de sua cidade natal com um repertório que ia do blues ao rock Brasil de Cássia Eller. Em 1998 ela travou seu primeiro contato com a cultura afro-brasileira no lançamento da Revista Capoeira, do editor Adriano Chediak.
Apontado como uma de suas principais influências musicais, o trabalho da cantora Clara Nunes, marcou sua carreira de forma fundamental: "Clara pra mim é uma inspiração, eu me identifico muito com o trabalho dela. Há 25 anos, a Clara introduziu sutilmente a palavra capoeira em suas músicas. E ela foi muito a fundo nesse assunto da vida na senzala, do negro, do índio e de toda miscigenação que compõe o nosso povo. Eu me identifico com ela, porque acho que o trabalho que estou fazendo é muito parecido com o dela, ela introduziu isso indiretamente na música popular brasileira, e eu estou tentando introduzir diretamente, levar essa 'cozinha' das senzalas e da capoeira pra dentro da música popular brasileira, pela grandiosidade e pela riqueza das letras, e pelo swing 'bacana' que traz a própria melodia", enfatiza Carolina.
* Agradecimento especial ao camarada Piter Bedoian - N´Zinga - SP, por ter me presenteado com este fantástico CD
Hoje não quero falar de racismo sexista, não quero articular debates, não quero ver nenhuma legislação, não quero o drama cotidiano da discriminação, não quero falar dos véus negros das mulheres muçulmanas nem das tristezas femininas do Sudão, muito menos do choro das circuncisadas da Guiné Bissau e nem do ácido jogado no rosto de centenas de paquistanesas.
Hoje, mas só hoje, não vou falar do turismo sexual que explora e mata o amor no coração de meninas moças brasileiras. Só para termos um dia legal, hoje eu não vou falar das jovens armadas no Iraque e nem das escravas violentadas nas colônias européias, nem das pobres e faveladas mendigando dignidade.
Hoje eu não quero lembrar “o porquê” foi criado o Dia Internacional da Mulher, das 129 operárias queimadas vivas em Nova Iorque ou do estopim da Revolução Russa liderado por tecelãs e costureiras em Petrogrado. Só hoje prometo não falar das grávidas expulsas de casa, nem das estupradas, espancadas e torturadas.
Apenas por algumas horas eu não falarei da trágica invisibilidade das mulheres no passado. Hoje eu vou contar vitórias como as de Teresa de Benguela, Dandara, Rosa do Palmeirão, Luísa Mahin, Beatriz Beata de Nhançã, Fogareiro, Patrimônio, Janja, Selma, Edna, Cigana, Mulheres, mulheres, mulheres, Marias, Claudias, Sarahs, Morganas e Janaínas, Mulheres…Cristinas, Natálias, Lilians, Mulheres…
Nossas conquistas de pernas pro ar, mas só hoje eu não quero lembrar o quanto nos custou dirigir uma Roda de Capoeira.