Este ensaio enquadra-se numa idéia maior de discussão de Temas Atuais sobre a Capoeira, que encontra sua pertinência frente ao panorama atual de evolução geográfica e de dinâmica cultural pelas quais passa o patrimônio cultural brasileiro denominado capoeira. Cumpre salientar que, do prisma da Educação Humana pelo qual nos norteamos – a Educação Física e o Desporto em todos os seus hibridismos científicos –, temos no objeto capoeira um meio e um fim em si mesmo, respectivamente, o que nos permite enquadrá-lo conforme a especificidade de cada disciplina, mas nunca dissociá-lo de sua originalidade cultural.
Sendo assim, e partindo do pressuposto de nossa experiência na práxis da capoeira ao longo de anos e, contemporaneamente, como docente assistente desta cadeira de Estudos Práticos na Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da Universidade de Coimbra, bem como através de nossos estudos acadêmicos, que tiveram e têm por objeto esta manifestação brasileira, concluímos ter por significantes a exploração desse mundo ímpar, sua nacionalidade e singularidade cultural; entretanto, quando tratado da óptica antropológica do homo sportivus, personagem histórico que imprime no mundo em que vive as marcas da dinâmica sócio-cultural à qual é afeito, deixa transparecer através desse formato as maiores similitudes e as menores diferenças que confluíram e que confluem para o surgimento, desenvolvimento e dinâmica dos jogos e dos desportos na sua própria ação.
Objetivamos então trazer ao lume e em generalidade o estado da arte capoeira em sua terra natal e pelas bandas da Europa, ambientes que pudemos observar diretamente, salientando como tópicos norteadores para as nossas inferências a sua conformação social intra e inter-grupos nos brasis, bem como em determinadas partes do Velho Mundo, assim como aspectos técnicos da expressão em causa. Convém advertir que nossa aventura considera o objeto capoeira nas vertentes expressas por seus protagonistas – os capoeiristas –, nos formatos diversos de jogo, luta, desporto e espetáculo, contrapondo discursos e posturas implícitos e manifestos em suas vãs tentativas de vocalizar pressuposta unicidade de índole para a sua prática.
Ana Rosa Fachardo Jaqueira
* Mestre em Educação Física. Professora Assistente do Núcleo de Ciências da Actividade Física da Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física, Universidade de Coimbra, Portugal.
anarosajaqueira@fcdef.uc.pt.