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Mestre Caiçara certamente cantaria: Céu de Angola tem três estrelas! Todas três entrelaçadas! Uma é "Grande"! Outra é "Pequeno"! A "Primeira" está no Alto... Onde mora "O Brilho Maior"! Acostumado a assistir do anonimato das galerias, às rodas e exibições do Centro Esportivo de Capoeira Angola, onde pontificavam as figuras de Pastinha e seus principais seguidores, desde logo aprendi a admirar o jogo expressivo dos dois "Joãos", diferenciados em "Grande" e "Pequeno’ em paralelo físico, apesar de idênticos na lisura, elegância, disciplina e beleza gestual. João Pequeno, na realidade não era tão pequeno, o cognome sendo apenas relacionado ao físico avantajado do "Grande". No jogo ambos se agigantavam e equivaliam. Calado, ele ensinava aos mais novos pela exibição de seus movimentos elegantes, desenvolvidos dentro do ritmo como exigido pelo ritual da capoeira, sempre mantendo o respeito pelo parceiro do jogo, seja no plano físico, seja no moral. Cantando, falava a linguagem tradicional dos capoeiristas na roda, louvando a tradição, exaltando suas origens, acentuando as qualidades da terra e de seu povo, num jogo elegante e ritmado de frases poéticas. Vivendo, transmitia um exemplo de humildade serena e liderança inconteste, impondo-se pelo carisma a todos que dele se aproximavam. Na intimidade, revelava-se um pai extremoso, devotado à preservação dos valores espirituais da família e zeloso no provimento das necessidade materiais dos seus. Ao completar a oitava década, continua o mesmo de sempre: calmo, humilde, apaixonado pela capoeira; jogando capoeira e liderando um dos grupos mais expressivos da nossa terra, embora cultuado como um dos monstros sagrados da nossa e reconhecido internacionalmente como um dos marcos mais importantes na história da nossa arte-e-manha de São Salomão. A evolução da capoeira a partir de 1943 vem acompanhando o trajeto duma estrela gêmea, cujos focos são os dois Mestre Maiores, Bimba e Pastinha, sob a luz dos quais temos que forçosamente examinar e entender os fatos. Pólos opostos, porém complementares, os dois grandes lideres, se completam, unindo a modernidade à tradição. Somente graças à visão de Pastinha, manifestada na sua adorada Capoeira de Angola, pôde o verdadeiro jogo da capoeira conservar sua pureza original e sobreviver ao impacto da histórica tormenta desencadeada pela criação da Luta Regional, antípoda do Jogo de Capoeira, porta aberta para intromissão dos teóricos modernos e as conseqüentes deformações conceptuais da capoeira baiana original, "sempre elegante, bela e gentil com Deus a concebeu", nas suas palavras. Pastinha proclamou nos seus manuscritos a estrita obediência aos três erres fundamentais do jogo capoeira : Ritmo, Ritual e Respeito, sem os quais a prática se transforma em luta feroz, de bestas ensandecidas. João Pequeno, após o retorno do Velho Mestre aos planos mais elevados, toma do cetro e vem dirigindo com serena humilde, o barco da tradição, de portaló aberto ao progresso e à evolução, sem perda de objetivo e rota. Enfim, João Pequeno faz jus à frase do Mestre Pastinha ... "o famoso o povo lhe diz" ... Deus salve o Mestre João Pequeno! Oxalá o cubra com seu alá... e resguarde das artimanhas dos exús... nas encruzilhadas da vida! Nota final: Pessoalmente, desejo alcançar os "oitentinhas" assistindo suas brincadeiras e exibições de habilidade nas rodas da "Academia de João Pequeno de Pastinha do Centro Esportivo de Capoeira Angola".
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