A Casa da Capoeira Angola da Bahia, instalada à Rua Gregório de Matos, 38, no Pelourinho, Salvador, Bahia, Brasil, é a sede atual da Associação Brasileira de Capoeira Angola. Lá é o verdadeiro lugar onde os angoleiros trabalham para manter viva a tradição da Capoeira Angola - a Capoeira-Mãe.
A pesquisa da História mostra que a Capoeira Angola era utilizada pelos negros escravos brasileiros para se livrarem das chicotadas de seus senhores e se defenderem dos perseguidores os quais eram atraídos para as "capoeiras" (clareiras existentes nos cerrados) durante a fuga para os "quilombos" (redutos nas matas onde os negros defendiam sua liberdade). Desses quilombos, um se destacou na História do Brasil, pela coragem de seu líder Zumbi: Quilombo dos Palmares.
Com a abolição da escravatura, através da lei criada pela princesa Isabel de Portugal, país do qual o Brasil foi colônia, a Capoeira Angola ganhou espaço. Praticada nas ruas pelos negros, logo se tomou marginalizada. Mas, as raízes não se perderam. Preservada pelos descendentes dos antigos escravos, ela se desenvolveu em alguns pontos do Brasil, notadamente no Recôncavo Baiano, dando origem a uma luta cheia de mandinga e malícia.
E, quando se fala em Capoeira Angola, não se pode deixar de falar em Mestre Pastinha, nascido em 1889 e falecido em 1981. Grande defensor das tradicões, seu trabalho é reconhecido mundialmente. Pastinha, genio de capoeira e da vida percorreu as principais cidades do Brasil, escreveu um livro, gravou um disco e foi mostrar sua arte na Mãe-África. Por suas mãos passaram milhares de alunos, entre eles Jorge Amado e Caribé, que hoje fazem parte do Conselho de Beneméritos da Casa da Capoeira Angola da Bahia. Atualmente, seguidores fïéis de Mestre Pastinha mautém a tradição que ele tanto amou. Reunidos em tomo de um mesmo ideal - o resgate da Capoeira Angola - mostram ao mundo toda a magia do seu ritual nas rodas da Casa da Capoeira Angola da Bahia.
A sede da Associação Brasileira de Capoeira Angola, doada pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia - IPAC, aguarda a reforma que será feita por aquele órgão para instalar o 1: Museu de Capoeira Angola do mundo. O museu vai abrigar o Memorial de Mestre Pastinha e o Memorial dos grandes Mestres já falecidos, como os Mestres Bobó e Canjiquinha, entre outros; e de Mestres Antigos ainda vivos como João Pequeno, João Grande, Caiçara, etc. No Momento, a Casa realiza rodas de Capoeira Angola às terças e sextas-feiras, às 19h:00, e rodas com crianças, quinzenalmente, aos domingos, a partir das 15h:00, mostrando aos visitantes todo o encanto da Capoeira-Mãe. Além disso. Mestres Antigos orientam nos salões da Casa, a prática da verdadeira capoeira aos interessados. Esses Mestres Antigos foram chamados de volta para assumirem seu lugar de importância na revitalização da Capoeira Angola.