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Um Simples Cordão Divide Angoleiros E-mail Print

Aproveito o espaço neste conceituado jornal para esclarecer que nunca usei e nem utilizei cordões como forma de graduação na minha Escola de Capoeira. Entretanto, quando lancei o meu primeiro livro em 1989, intitulado: A CAPOEIRA ANGOLA NA BAHIA, dediquei um capítulo ao assunto, defendendo um sistema de graduação, criado por mim e baseado nas cores das bandeiras da Bahia e do Brasil desde quando observasse alguns critérios básicos, proibindo seu uso fora do nosso espaço de treinamento, de acordo com os nossos fundamentos, onde predomina a malícia e desestimulando a competitividade, tão prejudicial no meio capoeirístico.
 
O meu objetivo principal ao defender esse sistema visava simplesmente facilitar o nosso ensino, onde eu poderia determinar um tipo de treinamento diferenciado para cada grupo de aprendizes portadores de determinado "cordão", de acordo com a sua cor específica.
 
Algum tempo depois, o Conselho de Mestres da Associação Brasileira de Capoeira Angola, do qual faço parte, decidiu contra a utilização dos tais "cordões" como forma de graduação na capoeira angola, quando concluímos que este procedimento não condizia com os nossos princípios, no que diz respeito à preservação das nossas tradições. A partir desse momento resolvi abdicar do meu propósito, abandonado a idéia de utilizá-los na minha escola, embora esta minha atitude não partisse de uma imposição por parte de meus camaradas do Conselho e sim pela minha própria conscientização da relativa importância que eles representavam no meu ensino e pela conseqüência nociva que poderiam trazer para nós angoleiros, embora não tenha nada contra a utilização por parte dos capoeiristas que não sejam do nosso estilo. Espero que o meu exemplo sirva para os mestres dissidentes, inclusive de outros estados brasileiros, que continuam insistindo em manter os "cordões", possam reavaliar as suas posições e quebrar este elo que nos divide, apesar da sua insignificância, e voltarmos a nossa atenção na direção dos verdadeiros propósitos, adquiridos através do conhecimento e do amor a nossa arte para que possamos unir as nossas forças em nome do mesmo ideal, na luta pelo engrandecimento da capoeira angola.
 
José Luiz Oliveira Cruz, Mestre Bola Sete
Em matéria ao Jornal Muzenza


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