| Escrito por:
Luciano Milani,em:09-02-2008 05:18 |
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Dedicado a Guanais e Lemos, que me fizeram aprender o mecanismo de perda de consciência, desmaio, pela hipertensão intracraniana por compressão das veias jugulares no colar-de-força.
Mestre Pastinha escreveu:
2.2.31 - ..."eu não enventei[2]"...
... "eu não enventei;”...
...”eu vi e achei bom”...
... “e aprendi no circo[3] de cadeiras,”...
... “para aprender o jogo de dentro..."
(77a,11-b13)
... Nós todos vimos...
... achamos bom...
... aprendemos com os mais velhos!
... Pastinha acentua a importância...
... da proximidade entre os parceiros no jogo de capoeira...
... os antigos mestres usavam obstáculos...
.... círculo de cadeiras...
... mesas...
... ou de ambos...
... para desenvolver a agilidade...
... e “golpe de vista”...
.. indispensáveis à pratica da capoeira...
... especialmente no jogo de dentro..
... que simula a luta com arma branca!
HerPast p.77
Pastinha sabiamente acentua importância da proximidade entre os parceiros no jogo de capoeira e afirma que os antigos MESTRES usavam obstáculos periféricos, circundantes, circunvizinhos...
círculos de cadeiras ...
mesas ...
luzes apagadas...
como usávamos eu e Guamais[4] em nossos treinos secretos...
olhos vendados, além das luzes apagadas...
como fazíamos eu e Jose Sobrinho “Zezinho” em nossos treinos de Judô!
ou ambos meios...
Para desenvolver as percepções extra-sensoriais como em Ioga e Artes Marciais!
Esta referência de Vicente Ferreira Pastinha ao uso de seu Mestre das cadeiras para delimitar a área de movimento ou jogo e assim desenvolver a noção de localização espacial durante o preparo técnico do capoeirista é muito importante por que revela preocupação desde os tempos antigos com a localização espacial do capoeirista dentro do ambiente do jogo.
Desta maneira o capoeirista desenvolve um sexto - sentido e adquire noção e domínio do espaço restrito de jogo, perde o medo de se aproximar do parceiro-adversário, especialmente útil no jogo-de-dentro, e extremamente importante na criação de oportunidades de contra-ataque e ou bloqueio do uso de arma-branca, seja faca, punhal, estoque, facão, navalha, tesoura ou mesmo guarda-chuva, borduna, sombrinha, cadeira, banco, cacete, cassetete, quiçá garrafa de vidro ou panela.
Reflexo utilíssimo no corpo-a-corpo, na prevenção de impacto sobre os assistentes ou circundantes e origem da sensação de coragem, segurança, autodomínio, autoestima, calma e autoconfiança tão característica do capoeirista.
O treino individual cercado por 4, 6 ou 8 cadeiras simulando outros tantos adversários aperfeiçoa o sentido de localização espacial, avaliação de distância e golpe-vista, extremamente importantes no jogo, na luta, no trabalho, no transito e no cotidiano.
Nos anos quarenta (do século passado...), depois das aulas e treinos currículo, Bimba me entregava a chave para abrir a Academia no dia seguinte às 5 horas da manhã e o nosso grupo (Guanais, cabo Néri, Lemos) para um treino de briga (vale-tudo) em ambiente fechado com cacetes e armas-brancas[5].
Treino com luz apagada, cadeiras, mesas e bancos espalhados aleatoriamente pela sala, grupo de 3 amigos íntimos...
testados pelo Tempo...
verdadeiros...
confiáveis reciprocamente,
grupo excelente para aperfeiçoamento dos reflexos de esquiva e contra-ataque...
sem acidentes... nem incidentes
pelo dominância da esquiva sobre o ataque...
sem soltar golpes a esmo...
E a lembrança de Hector Caribé a recomendar...
A saída de salto mortal para trás..
Pela janela...
Quando acuado contra a parede...
Sem outra saída...
No andar térreo...
Naturalmente!
Lembrando também...
Os treinos de Judô como Zezinho Sobrinho para adivinhar o que outro iria fazer...
Sem a proteção do tatami...
No chão de cimento do pátio da casa de Zé...
Olhos vendados...
Sem lâmpadas acesas...
E Um sempre percebia...
O que o Outro ia fazer
Era o SEXTO-SENTIDO!
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09-02-2008 05:25
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