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Search by tag : Capoeira, Publicações e Artigos, A Arte da Capoeira


Cronica: E AINDA ME CHAMAM DE RADICAL... PDF
 
Escrito por: Acúrsio Esteves,em:01-06-2006 17:03
Acessos: 1937    
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O pesquisador , escritor, professor e camarada Acúrsio Esteves, nos envia uma cronica onde faz uma critica e nos faz refletir sobre a importância e a responsabilidade do ensino... por que não dizer "PROPAGAÇÃO DA CULTURA BRASILEIRA" através da CAPOEIRA ou qualquer outro saber popular... com bases, origens e raízes sabidamente brasileiras, dentro de regimentos e fundamentos guiados por nós  "BRASILEIROS"... como principal exemplo, irei citar a capoeira, uma "Luta, Arte, Dança e tantos outros nomes..." que teve como fundamental meio de divulgação... a oralidade... dentro da cultura popular... Temos o dever (será???) de mantermos as raízes, nunca nos afastando das mudanças e processos dinâmicos inerentes da capoeiragem... "um elemento vivo..." mais não esquecendo que todo este processo precisa ser baseado em nosso elemento principal de identidade patriótica, de "brasilidade": A nossa língua... a nossa forma de expressão... nosso jogo de cintura... Mais sempre abertos a adaptações... traduções... e qualquer outro elemento que venha somar de forma relevante e que colabore no crescimento sustentável da nossa capoeira.

Luciano Milani
Acúrsio e Mestre Decanio
Na foto Acúrsio entregando o seu livro ao Mestre Decanio
Algumas pessoas lendo meu livro A Capoeira da Indústria do Entretenimento, acham que a minha crítica às modificações impostas pela “sociedade do espetáculo” à capoeira é por demais contundente e até mesmo descabida. Elas acham que as “novidades” colocadas no jogo com o intuito de atrair espectadores são válidas. Continuo entrincheirado nas minhas convicções e com razões de sobra para tal atitude. Senão vejamos:
 
No mês de abril tive o prazer de receber como hóspede o administrador do site Portal Capoeira, Luciano Milani, que em merecidas férias aproveitava o tempo livre para pesquisar capoeira “na fonte” aqui em Salvador, mantendo uma extensa agenda na qual constavam encontros com mestres como o Mestre Decânio, Mestre Pelé da Bomba, Mestre Gagé, Mestre Bola Sete dentre outras personalidades da capoeira. Agendadas também estavam visitas à instituições como a Associação Baiana de Capoeira Angola e academias como a Fundação Mestre Bimba do Mestre Nenel.
 
Eu, cumprindo o papel de cicerone sempre que minhas atividades acadêmicas permitiam, estava no Pelourinho com Luciano e resolvemos fazer uma visita a uma academia para conversar um pouco com o mestre da casa. Ao chegarmos ele não estava, porém, tinha um monitor ou professor dando aula para uns três estrangeiros. Paramos para olhar quando, estarrecido, verifiquei que o referido professor estava dando a aula em (péssimo) inglês, talvez na tentativa de “agradar os clientes” ou talvez até de “se mostrar diferenciado” em relação aos demais profissionais da área que dão aula em português.
 
Ora, um dos orgulhos culturais que a capoeira carrega é de propagar aos quatro cantos do mundo o nosso idioma... Aí meu camarada, é complicado aceitar este argumento. Minha mãe tinha usava muito um ditado popular que diz: “Quem muito se abaixa o rabo aparece...”.
 
Esta subserviência, baseada na idéia que temos sempre que agradar os de fora ainda que para isso sacrifiquemos nossos bens culturais, não pode continuar. Temos que dar um basta.
 
No dia 31/5 ao assistir um noticiário local, me chamou a atenção a notícia de que um grupo de mulheres capoeiristas iria fazer uma turnê na Europa e salvo engano, iria à Alemanha durante a Copa do Mundo apresentar a arte brasileira da capoeira aos gringos. Tudo estaria nos conformes se eu não tivesse notado (maldito olho crítico) alguns detalhes na apresentação que elas fizeram para uma rede de TV local.
 
O que primeiro me chamou a atenção foi que na bateria estava constando como instrumento o nosso velho e querido violão. VIOLÃO... é mole ou quer mais? Relutei a acreditar no primeiro instante, porém, as imagens seguintes confirmavam que não precisaria ir com urgência no dia seguinte ao oftalmologista; era mesmo um sonoro violão, ali, bem ao pé do berimbau.
 
Pergunto: Onde nós vamos parar? Ou “O que estará por vir”? Daí para a guitarra elétrica ou instrumentos de sopro é um pulo. Eu já tinha visto o Balé Folclórico da Bahia colocar um “surdão”, mas violão é a primeira vez. Talvez até seja ignorância da minha parte porque se a gente reparar bem tanto violão quanto berimbau tem corda né? Afinidades...
Se vocês pensam que a “performance” das meninas pára por aí está se equivocando. Elas usavam um modelito azul, com a camisa em pontas amarrada no meio do tórax e calças com vários babados em cascata, fartos e coloridos abaixo do joelho. Algo mesmo espetacular!
 

Acho bem apropriado para a ocasião tomarmos a fala de um retórico dos mais importantes da história, Marco Túlio Cícero, 106 aC a 46 aC. São famosas suas catilinárias, discursos contra um político da época, um certo Catilina, senador, como ele próprio. Na sua mais famosa fala sempre citada em todo o mundo ele dispara:

- Quousque tandem, Catilina, abutere patientia nostra? Que em bom português significa: Até quando, Catilina, abusarás de nossa paciência? Fazendo uma adaptação ao nosso caso questiono: Até quando, oportunistas, abusarão de nossa paciência? É simplesmente lamentável constatar estes abusos... E ainda me chamam de radical!

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Última Atualização:: 01-06-2006 17:11

Publicado em: :Capoeira ,PUBLICAÇÕES E ARTIGOS - Publicações e Artigos da capoeira
Keys/Tags: :Capoeira, PUBLICAÇÕES E ARTIGOS - Publicações e Artigos da capoeira, Cronica: E AINDA ME CHAMAM DE RADICAL...
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Comentários(5)RSS feed dos comentários
Postado por: Shion, em: 02-06-2006 07:34, IP 201.50.20.193, Visitante
1. Shion
Olá, colega velho! Blz? Espero q sim!  
 
Ñ tive a chance de lê o seu livro, logo vou me restringir aos meus conceitos. 
 
E logo afirmo: concordo em plenitude com vc.  
 
Numa dada comunidade sobre Capoeira na rede de relacionamentos ORKUT, participei de uma discussão interessante inicialmente, mas q depois se tornou birrenta e desnecessária. O tema versava justamente sobre essas modificações e "evoluções" que a nossa capoeira sofre para o benefício dela própria. 
 
Ñ sou contra - em nenhum campo - às evoluções, melhoramentos ou posições quaisquer de avanços.  
 
Mas quando o assunto é capoeira, sou conservador em vários pontos. E defendo meu posicionamento. 
 
Naquela comunidade do orkut...falava-se em "Capoeira Evangélica". Longe de mim querer explorar a vertente religiosa - q nem interessa e é fonte inesgotável de discussão - e sim as peripécias provocadas pela citada "ramificação da nossa capoeira para atender mais pessoas"... 
 
Fato: A capoeira é única. Ñ entendo o pq de colocar sobrenomes na nossa arte. Capoeira aquilo. Capoeira isto. Capoeira para negros. Capoeira para brancos. Acho isso de um falta de senso incomensurável! 
 
Queria me fixar a esta vertente como exemplo: Aos defensores da citada "Capoeira Evangélica", pesa o fato do encontro com o Deus q eles crêem através da arte capoeira...mas...perae? O que é isso? Catecismo??? 
 
Quer dizer então q na nossa "Capoeira Comum" a questão divina é inexistente. Deus ñ está presente nas rodas da nossa "Capoeira comum"? 
 
Quanta bobagem!  
 
Parem de sublinhar apenas aquilo q lhes interessam e observe q a capoeira é una em corpo-espírito.  
 
Ñ neguem as raízes africanas e seus rituais. Vcs estão descaracterizando nossa arte! Ñ venham com um pretexto de "evolução para atender mais vertentes que pensam diferente". Balela! Bobagem! Desprezível! 
 
Capoeira é única! Ñ mudem a letra de uma ladainha! Digam Oxalá ao invés de uma outra entidade religiosa existente num templo. 
 
Ñ desconsiderem as origens da nossa arte! Se gostam tanto da capoeira, q permaneçam então aceitando todas as características q a formam! Do contrário, é sobrepor outras preferências em detrimento da capoeira! 
 
Duvido se iriam apreciar a mudança se algum capoeira chegasse modificando algum ritual de determinado culto... 
 
Como no exemplo lamentável do texto-tópico do camarada, daqui a pouco irão colocar uma guitarra no local do berimbau e dizer q a mudança é para atender a “evolução natural” q a capoeira fatalmente irá q sofrer... faça-me favor! Mais coerência para essas mentes! 
 
É evidente q a capoeira - se quiser permanecer existindo - deve seguir as diretrizes provocadas por toda evolução. Afinal, ninguém foge dessa premissa. Mas a própria Capoeira já sofre essas modificações dentro dela mesma. Num jogo mais acrobático, seja numa lado mais comercial, em sendo uma ferramenta social de inclusão e aprendizado. Deixemos a forma natural de evolução da capoeira. Ñ vamos sobrepor interesses mesquinhos ou modismos de determinados grupos. 
 
Repetindo: Se amam tanto a capoeira, como sempre afirmam, tratem de segui-la tal qual ela se apresenta: em toda a sua essência. 
 
Diferente disso, é um aproveitamento tosco e sem sentido da arte-ginga e q ñ deve ganhar atenção. 
 
Abraços, colega velho! =D 
 
Shion
 
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Postado por: Visitante, em: 02-06-2006 22:29, IP 201.32.218.70, Visitante
2. Acúrsio
Valeu colega velho=D. Concordo "ipsis litteris" com o seu texto... 
Abraços, axé!
 
» Responder a este comentário...

Postado por: Visitante, em: 12-06-2006 14:20, IP 82.120.74.93, Visitante
3. aparencia ou fundamento
Com todo respeito ao autor e seus reparos sobre a atualidade, quero compartilhar um ponto de vista do exterior. Para que ficar com o berimbau, se é para tocar musica de capoeira em ritmo de balada ou de rock? Escutem as gravações de Waldemar (sempre com os seus colegas), Caiçara, Bimba, de Boca-Rica e Bigodinho, e me diga se não tem diferência? 
 
Se alguém conseguisse essa qualidade rítmica com violão, eu iria aprovar, como aprovo o uso do acordeon no primeiro disco do mestre Acordeon (mas desaprovo o último, somente com berimbau, por causa do sacrifício que ele fez do ritmo em favor do texto ou da harmonia ou melodia ou por qualquer outra razão pertencente ao meio em que trabalha). 
 
O segredo do ritmo da capoeira encontra-se no próprio espírito do jogo. É fundamento. Para encontrar o fundamento, tem que cavar bastante. A expansão da capoeira botou em evidência muitos semi-mestres, mas S.D.Q. a brincadeira va ensinar a alguns, com gosto de aprofundar-se, a sua lição.
 
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Postado por: Visitante, em: 20-06-2006 07:49, IP 200.196.125.38, Visitante
4. Concordo plenamente
a capoeira é uma só e é do jeito que é. Se quiserem inventar essas doideiras aí botem outro nome, como balé folclórico, ou dança dos trópicos, mas não diminuam a capoeira!!!
 
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Postado por: Visitante, em: 25-06-2006 01:54, IP 200.125.61.59, Visitante
5. ...
paz irmaos capoeiristas sou um capoeirista aqui da fronteira da paz rivera e livramento , uruguai e brasil e sou cristao mas nao entendo o porque de tanta descriminacao por eu ser evangelico pois tudo o que eu faco faco com amor e dedicacao sem maldade, nao me importo se muitos nao gostampois faco para DEUS e nao para homens PS. meu e-mail e arte.de.rua@hotmail.com se alguem quizer me mandar alguma mensagem ficarei feliz em recebe-la fiquem todos em paz e que DEUS os abencoe !1 abraco a todos ass. CLAUDIO {PELE}FERNANDO.PAZ!
 
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