Saudade - Rio de Janeiro - 02/08/07
Tenho o privilégio de acompanhar o filme há algum tempo e de ter participado da exibição no Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro, ocasião que me rende muitas lembranças boas. Acompanho o corajoso trabalho do Luiz Fernando e de sua equipe, que tenho certeza enfrentaram muitas dificuldades para que o filme ganhasse a telona, que partiram de dentro e de fora da capoeiragem. E boa parte delas por conta da discriminação, o que não é novidade.
O filme chega em momento bastante oportuno, por tanto, pois é preciso, mais do que nunca, divulgar a nossa arte; produzir informação para torná-la acessível para que ela não esteja restrita aos capoeiristas somente. E neste ponto o filme é mais que necessário. Pois, além de mostrar os feitos de um grande homem, abre caminho para popularizá-la efetivamente.
Sim, pois saber que um berimbau tocando e alguém de pernas para o ar é o jogo da capoeira é o mínimo que muita gente sabe. Mas, talvez não baste saber apenas isso; talvez seja preciso um mínimo a mais para que esta discriminação, arraigada miséria humana, dê espaço para a reflexão que é o caminho imprescindível para o entendimento. E, como diz magistralmente o querido mestre Mendonça, entendimento é felicidade...
Outros filmes, outras obras virão, tenho fé, uns tão importantes quanto os outros, e tão necessários para a construção do ideal de que tanto anseia nossos corações, mas que em nossa imaturidade ainda não conseguimos vislumbrar. E “quem tem ouvidos ouça”, este é mais um chamado!
Não tenho dúvida de que muita coisa irá mudar após o filme. E estou ainda mais esperançoso de que a mudança maior ocorra no campo da consciência, pois é lá que toda e qualquer mudança tem início. Estou esperançoso que tenhamos plena ciência da nossa responsabilidade quanto mantenedores desta arte, que é um dos mais belos exemplos da inteligência e engenhosidade humana.
Acima de tudo, tenhamos consciência de que o inimigo agora é outro e está mais próximo que possamos imaginar. E que a liberdade, tão louvada em nossos cânticos, tão presente em nossos corpos, é também outra. E recordando o saudoso Pastinha, nos ocupemos um pouco mais em evoluir o espírito, pois esta sim deve ser a luta a que devemos empenhar todo esforço e inteligência.
Fraterno Abraço e todos.