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Ver em Salvador crianças nas sinaleiras mendigando e tendo como instrumento de sensibilização do “público” a capoeira, me chamou a atenção para alguns aspectos importantes na evolução das manifestações populares.
Compreender tais fenômenos e suas particularidades é de fundamental importância para que possamos dimensionar a dinâmica da capoeira enquanto “processo revolucionário”, como diria a Profª Celi Tafarel, que sirva como instrumento de libertação, ao invés da afirmação histórica de inferioridade (pensamento que felizmente está se esvaindo).
As modificações nas suas formas de uso e de jogo sempre foram motivadas por fatores sócio-político-econômicos, os mesmos que estão influenciando na sua difusão nas sinaleiras do Brasil. A questão é muito mais ampla do que pensamos... Para entender esta trajetória, é necessário compreender as mudanças sofridas pela capoeira, que caminharam da marginalidade à atração turística, das senzalas à universidade, do Brasil ao mundo, do lazer ao negócio. É preciso ainda entender as dramáticas necessidades sociais que implicam em tais comportamentos.
Dentro de uma economia capitalista, todos os meios para a obtenção de capital são validados pelo "mercado", ainda que politicamente incorretos e histórica e socialmente condenáveis como o fato em questão.
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