CAPOEIRA, TOMA SENTIDO!
Caros mestres, professores e capoeiristas, é com todo respeito que os conclamo a REAGIR e dizer BASTA à desvalorização de sua arte e profissão.
Muitos foram os que no passado se sacrificaram para nos legar a linda prática da capoeira.
Muitos foram os que se esforçaram para resgatá-la da marginalidade, ou da estereotipia que a dava apenas como dança folclórica, para dar-lhe feições de complexo sistema técnico e de arte marcial acrobática, que passou a entrar nas academias e hoje se espalha pelo mundo, permitindo profissionalização de alto nível, que alguns já desfrutam.
É hora, portanto, dos mais conscientes gritar: “Capoeira, toma sentido!” e passar a defendê-la de oportunistas, que a pretexto de escrever sua história a banalizam, apresentando-a como “pernada” e “tiririca”, coisas menores que a Capoeira nunca foi. Os “pesquisadores” que fazem isso obedecem a um padrão de enganação que consiste em não apresentar prova nenhuma para autenticar suas inverdades. No máximo, eles arranjam a foto em branco e preto de um “boneco” qualquer, para dar a impressão de antiguidade, trajando roupas comuns ou de carnavalesco, com um pandeiro, cuíca, violino ou qualquer outra coisa menos recomendável nas mãos, e a legendam como sendo de um famoso “fulano capoeirista” que teria jogado capoeira ou pernada em algum presídio, terreiro de candomblé ou boteco de esquina qualquer. Isto quando não pegam um pobre de um alcoólatra, que por um copo de cachaça diz ou faz qualquer coisa, para dar seu “testemunho” de fatos históricos que “viu” ou “vivenciou”.
Enfim, tudo o que se construiu até hoje esses “folcloristas e oportunistas de plantão” estão destruindo com suas afirmações levianas e infundadas. Aqui em Sorocaba fizeram um estrago, desrespeitando a memória de mestres como Paulo Limão, Silvestre, Suassuna, Celso Bujão, Jorge Melchíades e demais capoeiristas que fizeram a capoeira acontecer na cidade. Ora camaradinhas, assim como os médicos não permitem que charlatões e embusteiros “piem” em sua profissão, sem a formação específica, também o capoeira não deve permitir que “bicão” nenhum se arvore em capoeirista e passe por um, ainda que venha precedido por conversa mole de montão, tenha brigado bem, ou fosse temido por ser valente faquista, navalhista e bom de pernada. Capoeira é arte, é esporte, é muito mais que tudo isso junto! E já passou da hora de exigirmos respeito por ela e por nós todos. Iê camará!
Wellington Figueredo
Contramestre de Capoeira Mística
capoeiramistica@nupep.org