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Capoeira X CREF/CONFEF : Um jogo perigoso fora da roda PDF
 
Escrito por: Profº Acúrsio Esteves,em:13-11-2005 07:14
Acessos: 1632    
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Neste artigo, o professor Acúrsio Esteves, autor do livro A "Capoeira" da Indústria do Entretenimento, faz uma análise crítica da questão Cref/Confef versus Capoeira.
 
Jornal do Capoeira -
www.capoeira.jex.com.br
Edição AUGUSTO MÁRIO FERREIRA - Mestre GUGA (n.49)
de 13 a 19 de Novembro  de 2005

 
ImageProfº Acúrsio Esteves *
Salvador, BA
 
Uma situação preocupante parte das ações do sistema CREF/CONFEF. Este está exigindo que mestres e professores de capoeira, que já há algum tempo ministram aulas de capoeira em suas academias ou outras instituições, sejam seus afiliados, para que tenham direito a continuar seus trabalhos. Tal procela gerou um impasse, pois os profissionais da capoeira fundamentados na tradição, não querem aceitar este domínio alienígena sobre a sua arte. Pessoalmente, concordando com os capoeiras, acho que a ela deva continuar seu caminho independente de controle ou registro externo. Seria, em minha opinião, o mesmo que os Conselhos de Medicina exigir que as parteiras, para continuarem a exercer suas atividades, tivessem que se filiar a estas entidades.
 
Submetê-la a controle externo, principalmente dentro do contexto que se propõe é esvaziá-la do seu significado simbólico/cultural, é equipará-la a qualquer atividade meramente física como corrida, musculação, ginástica, é roubar-lhe a pujança e a representatividade que possuem os saberes populares. É transformá-la em mero movimento corporal com intenções de condicionamento físico.
Como professor de Educação Física, reconheço a importância de um órgão para regulamentar a profissão, porém, entendo que esta posição tomada pelo CREF/CONFEF é uma ação corporativa perpetrada contra a capoeira e representa espúrias pretensões comerciais de reserva de mercado. Paralelamente, reflete e tenta repetir a dominação secular das classes dominantes sobre o povo, se apropriando dos seus saberes construídos coletivamente expressos sob forma de cultura popular, folclore, religião, gastronomia ou de qualquer outra natureza interferindo nelas forma ostensiva, negativa, deflagrando o início do seu processo de enfraquecimento,  quiçá aniquilamento.
 
De forma subjacente, esta atitude corporativa contempla uma ação que de forma indevida expõe todos os profissionais de Educação Física às duras críticas dos setores acadêmicos e culturais comprometidos com as raízes da cultura popular. A pretensão de se criar uma reserva de mercado se apropriando de uma clientela formada com muito trabalho, perseverança e sacrifício por outras categorias de trabalhadores é antiética, imoral e configura uma apropriação indébita sob o beneplácito da lei.     
Quanto aos profissionais da capoeira, afirmo que a categoria deve estar permanentemente mobilizada para garantir a sua autonomia antes que ela se transforme em um simples apêndice da Educação Física. A sua principal frente de luta deverá ser a de preservar não só a autonomia dos profissionais que tem atuado historicamente, como principalmente, os que agora estão iniciando e os que virão. Entendemos que esta atitude pretendida pelos "senhores do movimento" pretende criar privilégios para uma determinada categoria profissional sobre um patrimônio cultural que pertence ao povo.
 
Esta autonomia foi conseguida após muito sacrifício durante séculos por parte de mestre, alunos, simpatizantes e intelectuais que travaram árduas batalhas para fugir às perseguições policiais, políticas e preconceituosas por parte de setores conservadores da sociedade. Estes mesmos setores agora querem de novo dominá-la através de dispositivos legais, por intermédio de parlamentares que representam a elite e o grande capital. Entendemos que a cultura e o trabalhador devam ser protegidos pelo estado e não por ele perseguidos e controlados, aliás, é o que determina a lei.
 
 

* O professor e pesquisador Acúrsio Esteves, é formado em Educação Física pela UCSal, com mestrado em Gestão de Organizações UNIBAHIA/UNEB e é professor da Secretaria Municipal de Educação de Salvador. Leciona também nas Faculdades Jorge Amado e Fundação Visconde de Cairu, respectivamente nos cursos de Educação Física e Turismo, sendo também autor dos livros Pedagogia do Brincar e A "Capoeira" da Indústria do Entretenimento, de onde foi retirado este fragmento de capítulo.
 
**  Ilustração: www.correiodabahia.com.br
 


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Última Atualização:: 13-11-2005 07:19

Publicado em: :Capoeira ,CIDADANIA - "Capoeira é uma escola de cidadania"
Keys/Tags: :Capoeira, CIDADANIA - "Capoeira é uma escola de cidadania", Capoeira X CREF/CONFEF : Um jogo perigoso fora da roda
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Comentários(3)RSS feed dos comentários
Postado por: Visitante, em: 04-06-2007 12:24, IP 200.180.183.66, Visitante
1. Inaceitável
Olá, sou estudante de Educação Física e é um absurdo a maneira que é imposta aos diversos trabalhadores esta dita regulamentação. Se tem que haver regulamentação, a minha resposta é sim, mas do trabalho e não de profissões isoladas afim de fragmentar ainda mais a classe trabalhadora. Não ao Sistema CREF/CONFEF. 
 
Sejamos oposição à essa vergonha! 
 
Abraços, Felipe Corseuil Duran. 
felipecorseuil@yahoo.com.br
 
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Postado por: Mestre Squisito, em: 11-03-2008 19:42, IP 200.201.164.7, Visitante
2. Sociólogo e pós-graduação em Ed. Física
É um prazer voltar ao portalcapoeira.com e encontrar esse artigo-tema do Prof. Acúrsio, que tenho o prazer de ter lido o livro que ele porta nnas mãos - a Capoeira globalizada, trabalho muito feliz dele!  
Aqui o professor promove essas reflexões e deixa claro o caráter da proposta do CREF/CONFEF e a ação nociva que representa a perda da nossa autonomia de praticantes e professores dessa arte, a Capoeira. 
Só gostaria de acrescentar, com a permissão do Prof. Acúrsio, que essa "entrega" da capoeira aos interesses do CREF e do CONFEF se deu e se dá na maioria das vezes pela atuação dos próprios capoeiristas, a maioria muito bem intencionada, embora muitas vezes despidos da compreensão ampla que o assunto requer, outras vezes movidos por interesses inconfessos, que vão desde a aquisição de alguma autoridade sobre o conjunto da categoria capoeirista (muita gente sonha em ser o "dono" da capoeira e prá isso faz qualquer coisa, até mesmo vender a nossa autonomia...). 
Essa faceta, caro professor, é uma das nuances mais perigosas do nosso caráter de representantes da Capoeira, independentemente de nosso status moral, intelectual, social, etc... Cada praticante de nossa arte sente-se um pouco "dono" dela... Desde os primórdios do aprendizado já sentimos os capoeiristas que se incorporam nela de corpo e alma, tornar-se imediatamente dotados de um discurso inflamado e posarem dos mais dignos praticantes...  
No afã de se promoverem e de terem reconhecimento, muitos não hesitam em se tornar parceiros de entidades alienígenas - como bem denomina o Professor Acúrsio - vindo rapidamente a ocuparem nas fileiras das representações do CREF (mais tarde no CONFEF) postos de diretores e mesmo de "fiscais" da prática capoeiristica... 
Infelizmente esses nossos camarados muitas vezes não medem as consequencias ou se inteiram das verdadeiras razões que estão por trás das intenções da maioria dos organizadores e coordenadores dos referidos Conselhos... 
A Capoeira traz em sua prática um forte e inalienável elemento de poder, seja político, social ou econômico e nisso os praticantes dela, se tornam também favorecidos pelos elementos psíquicos-sociais que essa energia capoeirista produz... Daí o fenômeno da busca de espaços para os capoeiristas buscarem e manifestarem sua compentencia adquirida na capoeira - as vezes apenas assentuadas ou potencializadas, mas sempre presente... 
Os capoeirstas que se formam, rapidamente se tornam pretensos representantes de sua arte - muitas vezes isso é conquistado pela força e pela competição desleal ou anti-ética, mas acontece...  
Muitas vezes legítimos espaços são também ocupados por esses lideres capoeiristas emergentes...! 
O problema - e as distorções do caráter desse comportamente exacerbado é que ele pode levar - e tem levado - muitos capoeiristas dotados de otimos atributos a se tornarem aliados das causas equivocadas, como é o caso do CREF/CONFEF. 
Minhas sugestão é que eles, dotados dessa energia, canalizem-na para sua arte!
 
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Postado por: guilherme, em: 30-05-2008 06:18, IP 189.82.1.189, Visitante
3. barbaridade
eu seu estudante de Educação Fisica 
e eu so tenho uma coisa a mencionar 
"quem toma conta do cref/confef são um bando de FDP por que essa exarcebação é algo inaceitavel 
é algo barbaro o que eles estão fazendo com esses proficionais, uma enorme injustiça para com estes :(  
e por isso sou contra o cref/confef
 
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